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Economia Global e Gestão

versão impressa ISSN 0873-7444

Resumo

GRASSI, Marzia. Crise e desenvolvimento: um círculo vicioso perpétuo para África. Economia Global e Gestão [online]. 2009, vol.14, n.2, pp.43-64. ISSN 0873-7444.

A crise financeira que teve origem em 2007 nos países do «Norte»[2] atingindo as instituições financeiras formais e os bancos de investimento não tem as mesmas repercussões nos países africanos, uma vez que, na maioria destes países, a economia real organiza-se em moldes informais, sendo as instituições formais, lugar da crise, uma realidade recente e ainda escassa. O mesmo não acontece com a crise de crescimento que se seguiu à crise financeira e que vai afectar negativamente os países africanos, assim como todos os países do globo. Perante os equilíbrios mundiais, e tendo em conta a posição do continente africano nos equilíbrios mundiais, há quem acredite que a crise veio comprometer qualquer futuro possível para a industrialização necessária ao desenvolvimento no continente africano (Ellis, 2009). A discussão é organizada tendo em consideração a história das ideias nas ciências económicas e o impacto das políticas de desenvolvimento para o continente africano. Começando por recordar as principais correntes de pensamento sobre o desenvolvimento, serão, a seguir, discutidas as principais formas de integração da África no sistema económico mundial, para concluir que, se os modelos e as crises até agora experimentados têm cada vez mais produzido um aumento da pobreza no continente e uma acentuação das desigualdades sociais, entre os países africanos e o «Norte» do mundo, assim como desigualdades no acesso efectivo aos recursos, a crise actual talvez possa ser considerada, pelos primeiros, um evento potencialmente positivo, uma vez que vai obrigar a repensar globalmente o modelo de desenvolvimento e o seu impacto ao nível local. O facto de a crise ter origem nos países do «Norte», tornando patente como os efeitos negativos do desenvolvimento podem atingir todos os locais «globais» do mundo real globalizado, inclusive aqueles que até agora mais têm beneficiado dos efeitos positivos do desenvolvimento, torna inadiável a crítica dos mecanismos que lhe estão subjacentes. As conclusões sugerem que um ponto de partida ideal para repensar o modelo de desenvolvimento seja a não procura de rápidas respostas em prol da humildade intelectual de repensar criticamente o impacto social dos valores que estão subjacentes à história económica e à história das ideias, a partir do avento do capitalismo.

Palavras-chave : Desenvolvimento; Crise; Transnacionalismo; Mobilidade; África.

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