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Revista Portuguesa de Pneumologia

versão impressa ISSN 0873-2159

Resumo

MONTEIRO, Paula. Ansiedade e depressão na DPOC: O conhecimento actual, questões não respondidas e investigação necessária. Rev Port Pneumol [online]. 2009, vol.15, n.4, pp.740-742. ISSN 0873-2159.

Aproximadamente 60 milhões de pessoas nos Estados Unidos vivem com uma de quatro doenças crónicas: doença cardíaca, diabetes mellitus, doença respiratória crónica e depressão major. A DPOC está associada a múltiplas comorbilidades, sendo a ansiedade e a depressão muito comuns nesta doença, possuindo um impacto significativo nos doentes, suas famílias, sociedade e evolução da patologia. Existem poucos estudos prospectivos na avaliação do método diagnóstico, abordagem terapêutica e impacto na qualidade de vida dos doentes com DPOC e com sintomas de depressão e ansiedade. Os autores decidiram avaliar de forma multidisciplinar a ansiedade e a depressão presentes nestes doentes, procurando salientar questões não respondidas, nomeadamente a verdadeira prevalência da depressão e a ansiedade na DPOC, se estas comorbilidades são idênticas na DPOC em relação a outras doenças crónicas, qual o papel preditivo da depressão e da ansiedade na DPOC e os mecanismos que levam ao seu aparecimento e se o sexo e as diferenças étnicas influenciam estas alterações. Quanto a áreas de futura investigação, é necessário standardizar os critérios de diagnóstico de ansiedade e depressão, o impacto destas patologias nos custos de saúde, qualidade de vida, actividades sociais e adesão à terapêutica, identificação de factores de risco e de estratégias preventivas. Este objectivo surgiu da falta de uniformização e a da utilização de diferentes critérios de diagnóstico destas comorbilidades. A nível de resultados, foi determinada a prevalência de ansiedade e depressão, que é geralmente superior em relação a outras doenças crónicas. A prevalência de depressão na DPOC estável varia entre 10 e 42% e a ansiedade entre 10 e 19%. O risco de depressão é obviamente superior em estádios mais avançados da DPOC, chegando a atingir taxas de 62% em doentes a fazer oxigenoterapia de longa duração. Também em doentes a recuperar de uma exacerbação, a percentagem de depressão e ansiedade aumentam para níveis próximos dos 50%. Os inquéritos utilizados na detecção de sintomas de ansiedade e depressão foram o PRIME-MD, Beck Depression Inventory – II e Beck Anxiety Inventory. O primeiro questionário apresenta um valor preditivo positivo bom na detecção destas afecções. A depressão pode ser um factor preditivo de fadiga, dispneia e descondicionamento físico e mortalidade, em doentes com insuficiência cardíaca ou DPOC. Inclusive, possui um papel preponderante nas decisões do doente em estádio terminal da DPOC, que quando deprimido opta na maioria dos casos pela não ressuscitação. A ansiedade e a depressão não tratadas aumentam a incapacidade física, a morbilidade e o consumo de recursos médicos. Os doentes, médicos e o sistema de saúde são muitas vezes responsáveis pela baixa taxa de diagnóstico destas alterações na DPOC. Existem vários trabalhos que comprovam a eficácia da intervenção farmacológica e não farmacológica no controlo destas comorbilidades em doentes com DPOC, contudo apenas uma pequena percentagem recebe tratamento eficaz. Os autores concluem que é necessária maior investigação nesta área, detecção precoce e tratamento da ansiedade e depressão nos doentes com DPOC.

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