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Portuguese Journal of Nephrology & Hypertension

versão impressa ISSN 0872-0169

Resumo

SANTOS, Sofia et al. Fgf-23 e calcificação vascular numa população em diálise peritoneal com função renal residual. Port J Nephrol Hypert [online]. 2015, vol.29, n.3, pp.236-242. ISSN 0872-0169.

Introdução: O fator de crescimento do fibroblasto 23 (FGF-23) induz fosfatúria. A sua importância clínica ultrapassa o seu impacto na doença óssea da doença renal, associando-se, segundo alguns autores, à calcificação vascular e à mortalidade. Nos doentes em diálise peritoneal (DP), a função renal residual (FRR) é responsável por uma fracção significativa da excreção do fósforo. O nosso objectivo foi testar se o FGF -23 se relaciona com o débito do filtrado glomerular (DFG) e a excreção de fosfato nesta fase tardia da DRC(5d), focando a sua relação com calcificação vascular. Métodos: O FGF-23 (C terminal) foi medido em 40 doentes prevalentes em DP com função renal residual, com idade de 61.5 (51,0-67,0) anos, em tratamento substitutivo da função renal há 43,5 (23-80,0) meses. Destes doentes, 36,6% eram do sexo feminino 19,5 % tinham diabetes mellitus e 37,5% estavam sob regime de DP automática; 80% iniciaram diálise com DP; apenas 20% estiveram previamente sob outra técnica substitutiva da função renal. Foram exploradas variáveis clínicas relevantes, nomeadamente fosfato dietético, parâmetros ósseos, 25-hidroxivitamina D, magnésio (Mg), DFG, fosfatúria, fração excrecional de fosfato (FEP), albumina, proBNP e o score de calcificação vascular de Adragão. Resultados: Os valores medianos (IQ 25-75) das variáveis séricas foram: FGF-23 1997 (1623-2149) RU/ mL, Mg 0,9 (0,8-1,0) mmol/L, 25-hidroxivitamina D 30 (18-47) nmol/L, cálcio 2,2 (2,0-2,4) mmol/L, fósforo 1,7 (1,3-1-,9) mmol/L, PTH 429 (309-626) pg/mL. O FGF-23 correlacionou-se positivamente com o fósforo sérico (r = 0,39, p = 0,013) e negativamente com o volume de urina (r = -0,48, p = 0,001), fosfatúria (r = -0,594, p < 0,0001) e DFG (r = -0,61, p < 0,0001). No entanto, não se verificou qualquer relação significativa com idade, tempo em terapêutica da substituição da função renal, fósforo dietético, FEP, Mg ou 25-hidroxivitamina D. O grupo com valor elevado de FGF-23 apresentava aumento da FEP. O DFG foi preditor independente de aumento do FGF-23. Por outro lado, nem o FGF-23 nem o rácio baixo FEP/FGF-23 se associaram significati- vamente com o score de calcificação vascular. A albumina (baixa), o magnésio (baixo) e o proBNP (elevado) foram significativamente diferentes em doentes calcificados quando comparados com não calcificados (todos com p < 0,05). Conclusões: No nosso estudo não foi confirmada a associação do FGF-23 com a calcificação vascular. O DFG foi o único preditor independente do aumento de FGF-23 em doentes sob diálise peritoneal com função renal residual. O aumento do FGF-23 sinaliza um processo fosfatúrico ativo, compensatório face à perda de FRR, tal como é expresso pelo aumento da fracção excrecional de fósforo. Poderá alertar para oportuna optimização da dieta e da terapêutica no âmbito do metabolismo fosfocálcico. No entanto a sua associação com calcificação vascular permanece por validar

Palavras-chave : Calcificação vascular; diálise peritoneal; FGF-23; fosfatúria; fração excrecional de fósforo; função renal residual.

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