Scielo RSS <![CDATA[Comunicação e Sociedade]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=2183-357520190001&lang=en vol. spe2019 num. lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Cultures</b><b>, memories, dialogues under construction</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>The "refugee crisis" in Europe</b>: <b>between totality and the infinite</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en O eu e o outro. A totalidade e o infinito. Ou seja, a totalidade como o discurso do eu, que apaga o outro; e o infinito como o discurso do outro, que limita e impõe reservas ao discurso da totalidade. É numa relação face a face que eu encontro o outro, o qual passa, então, a existir em mim, a fazer parte de mim, constituindo-me. Esse é o caminho do enamoramento, e pode ser também o caminho da compaixão e da solidariedade. Mas a relação com o outro não se esgota no encontro. Depois do encontro do outro, seguem-se muitas vezes o seu apagamento, assimilação, e mesmo dominação. Em termos rigorosos, o que podemos dizer é que o outro nunca é redutível ao eu, ou seja, nunca é apagável em mim. E se o que está em causa é ignorar o outro, ou então, segregá-lo, discriminá-lo e dominá-lo, do que se trata mesmo é de exercer sobre ele uma violência. É este o meu ponto de partida e o meu ângulo de enfoque para debater a "crise dos refugiados" na Europa.<hr/>The self and the other. Totality and the infinite. In other words, totality as the discourse of the self which erases the other; and the infinite as the discourse of the other, which constrains and imposes reservations on the discourse of totality. I encounter the other in a face-to-face relationship, who thereby starts to exist within me, becomes part of me, constitutes me. This is the path whereby we fall in love, and can also be the path of compassion and solidarity. But the relationship with the other is not exhausted in the encounter. The encounter with the other is often followed by erasure, assimilation, and even domination of the other. Strictly speaking, we can say that the other can never be reduced to the self, i.e. may never be erased within me. And if the issue at stake is to ignore the other, or segregate, discriminate and dominate him, this implies exerting a form of violence over him. This is my starting point and my focus on discussing the "refugee crisis" in Europe. <![CDATA[<b>Learning biographies in a European space for social mediation</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Dentro da estrutura de um projeto Erasmus+ europeu, foram entrevistados mediadores estagiários sobre a sua experiência. Os contactos realizaram-se através de entrevistas não estruturadas, biográfico-narrativas qualitativamente profundas, nas quais indivíduos comprometidos com a interação dialógica criaram um entendimento partilhado, dando significado às suas histórias. Trata-se de entrevistas interativas, co-construídas. O detalhe da linguagem da entrevista documenta como a construção do significado ocorre, e como esta é afetada por motivos de pertença a determinados grupos, por discursos sobre etnias e culturas, assim como pelo género, idade, relações profissionais e educacionais, entre outros. A entrevista é sensível aos recursos da linguagem e aos seus usos na co-construção do significado. Este artigo, usando excertos de uma narrativa biográfica, mostra que a forma falante destas narrativas da aprendizagem biográfica dos mediadores pode oferecer uma visão do processo do conhecimento despoletado pela aprendizagem em comunidades de práticas, e que a criação de um espaço comum de experiência pode ser ouvido na conversa biográfica. Os recursos biográficos, a biograficidade e a sua relação com a linguagem e sociedade são considerados e, nas narrativas da entrevista podem ser observadas, ouvidas e partilhadas a criação de um espaço de aprendizagem, um espaço para o desenvolvimento e a revelação de noções e práticas de mediação.<hr/>Within the framework of a European Erasmus+ project, trainee mediators were interviewed about their experience. The encounters took place in unstructured, in-depth qualitative biographical-narrative interviews, in which individuals who are engaged in dialogic interaction create shared understanding and give meaning to their stories. The interview is interactive, co-constructed. The detail of the interview language documents how meaning-making takes place, and how this is affected by group belonging, ethnic or cultural discourses, as well as gender, age, professional and educational relationships, and so on. The interview is sensitive to language resources and their use in the co-construction of meaning. This paper, using extracts from one biographical narrative, shows that the languaged form that these narratives of the biographical learning of mediators take can offer insight into the learning processes triggered by learning in communities of practice, and that the creation of a common space of experience can be heard as it emerges in biographical talk. Biographical resources, biographicity, and their relationship with language and society are considered, and in the interview narratives the creation of a learning space, a space for the development and unfolding of notions and practices of mediation can be observed, heard and shared. <![CDATA[<b>Intercultural dialogue and intergroup relations in Europe</b>: <b>contributions of Cultural Studies and Social Psychology</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo discutem-se as contribuições dos Estudos Culturais e da Psicologia Social para as reflexões acerca dos desafios inerentes à promoção do diálogo intercultural na Europa, no contexto atual de relações intergrupais entre diversos Outros, propiciado por fatores como a intensificação dos fluxos migratórios e o avanço das tecnologias da informação e da comunicação. Para tanto, realizam-se articulações entre conceitos e categorias a partir de diferentes perspectivas teóricas nestes campos, de forma a associar discussões sobre processos identitários, alteridade, representações sociais, memória coletiva, assimetrias simbólicas, colonialidade do poder, do ser e do saber, a fim de (re)iniciar alguns debates sobre fenômenos complexos que se entrelaçam na construção do diálogo intercultural. Dessa forma, apresentam-se, ainda, diferentes concepções acerca dos conceitos de multiculturalismo e de interculturalidade, advogando-se a importância de uma perspectiva crítica na compreensão da interculturalidade, que a perceba como um projeto que parte das experiências dos "subalternos", a fim de buscar a transformação das estruturas sociais, institucionais e epistêmicas, (re)criando diferentes formas de ser, estar, de se relacionar, que impliquem não apenas o mero reconhecimento e tolerância de outras culturas, mas também a sua valorização, em diálogo e transformação mútuos.<hr/>This paper discusses the contributions of Cultural Studies and Social Psychology to the debates on the challenges inherent to the promotion of intercultural dialogue in Europe, in the current context of intergroup relations among several Others, facilitated by factors such as the intensification of migratory flows and the enhancement of information and communication technologies. To this end, we associate concepts and categories from different theoretical perspectives in these fields, in order to articulate discussions about identity processes, alterity, social representations, collective memory, symbolic asymmetries, coloniality of power, being and knowledge, to (re)initiate debates on complex phenomena that are intertwined in the development of intercultural dialogue. Therefore, different understandings about the concepts of multiculturalism and interculturality are presented, advocating the importance of a critical perspective in the understanding of interculturality, conceiving it as a project that starts from the experiences of the "subalterns", in order to seek the transformation of social, institutional and epistemic structures. This perspective allows people to (re)create different ways of being and relating to others, implying not only the mere recognition and tolerance of other cultures, but also their appreciation, in mutual dialogue and transformation. <![CDATA[<b>Dialogical mediation as an instrument to promote health and social cohesion</b>: <b>results and directions</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Um dos principais desafios na Europa é focar a atenção nas políticas públicas capazes de promover e manter a coesão social. Podemos ver como a interação entre diferentes sistemas culturais pode erradicar as diferenças. Uma vez que essas diferenças são assumidas como a caracterização e a identificação dos elementos de grupos sociais específicos, elas também podem causar conflitos na comunidade. Este artigo visa descrever os elementos que permitem a implementação da mediação nas políticas sociais. Será proposto um modelo operacional, tanto para usar em situações de emergência, como de antecipação de conflitos, em todos os níveis nos quais o conflito possa, por si, ser gerado ou desenvolvido: este modelo será denominado "Mediação dialógica" (Turchi & Gherardini, 2014). Este modelo trabalha com as partes interessadas não só de forma direta, mas também através de todas as "vozes" que possam estar envolvidas nas repercussões que o conflito possa gerar (e, como consequência, com toda a comunidade). É aqui que a mediação pode ser oferecida como um instrumento de política pública para a gestão da interação dialógica entre a "comunidade imigrante" e a "comunidade de acolhimento", antecipando os conflitos e apoiando uma interação como "comunidade única".<hr/>One of the main challenges in Europe is to focus attention on public policies capable of promoting and maintaining social cohesion. We can see how the interaction between different cultural systems can radicalize the differences. Since those differences are assumed to characterize and identify elements of the specific social groups, they can cause conflicts in the community. This paper aims to describe the elements that allow the implementation of mediation in public policies. An operating model for both emergency use and in anticipation of conflict will be proposed for all the levels at which conflict itself may be generated or has developed: this model will be called "Dialogical Mediation" (Turchi & Gherardini, 2014). This model operates on the interested parties not only in a direct way, but also through all the "voices" that may be involved in repercussions that the conflict may generate (the whole community as a consequence). This is when mediation can be offered as an instrument of public policy, for the management of dialogical interaction between the "migrant community" and the "hosting community", anticipating conflicts and sustaining interactions as a "single community". <![CDATA[<b>Intercultural</b><b> mediation through picturebooks</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en É grande o potencial de utilização de livros-álbum no contexto da mediação intercultural com crianças e jovens, que recorrem à multimodalidade para contar histórias sobre condições sociais de vida mundo atual. Quando criteriosamente selecionados, os livros-álbum permitem aos jovens encontrar representações diversas de multiculturalidade e de atuação intercultural significativas. Apresentam-se alguns exemplos de como um conjunto de livros-álbum da coleção do projeto IDPBC (Identity and Diversity in Picture Book Collections) pode ser usado para explorar tópicos de superdiversidade das sociedades modernas, tais como, viver em comunidades culturalmente muito diversas, construção de múltiplas identidades linguísticas, mobilidades humanas (forçadas e voluntárias) e migrações, em massa. Estes recursos ficcionais, que se apresentam como geradores de empatia entre os leitores, podem ser usados para ajudar crianças a compreender a diversidade crescente em que vivem, bem como os fenómenos contemporâneos de migração ou refugiados. Eles podem também contribuir para ajudar os jovens a compreender a complexidade social à escala global e ao nível dos direitos humanos e da convivência na diversidade de uma cidadania global. Sugerem-se por fim abordagens didáticas inclusivas destes materiais, passíveis de serem usadas com crianças (com idades dos cinco aos 12 anos) em situações de acolhimento e mediação intercultural.<hr/>Picturebooks are good resources for intercultural mediation with children given their multimodality and topic range related to contemporary living. When carefully selected, picturebooks may help children reflect on the multicultural world they live in and learn about meaningful intercultural action. Some examples of picturebooks are used from the Identity and Diversity in Picture Book Collections project (IDPBC) in order to explore topics related to the superdiversity of contemporary societies, such as, living in communities, multiple linguistic identities, approaches to mass migration and (voluntary and enforced) mobility. Fictional resources such as these are capable of generating empathy in readers and thus can be used to help children understand the growing cultural diversity around them, as well as the social phenomena of migration, refugees. These fictional resources may also contribute to children's understanding of social complexity at the global scale, at the human rights level, and within rules of democratic action as global citizens. Some inclusive didactic approaches are further suggested for using the selected picturebooks with five to 12-year old children in contexts of intercultural mediation. <![CDATA[<b>The river becomes the mediator</b>: <b>urban river restoration creating new spaces for intercultural dialogue and mediation</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Num nível básico, a água é uma parte essencial da experiência humana. Na maioria das vezes, as cidades são fundadas onde existem rios. A água e os rios são uma importante metáfora na descrição, no registo e na celebração das narrativas históricas e pessoais. O título deste artigo inspira-se num conto de fadas persa, no qual uma princesa apaixonada, que precisava de saber que o homem pelo qual se tinha apaixonado era verdadeiro, falava com o rio e ouvia-o. A água, simbolizada pelo rio, é portadora da vida e uma ligação entre as pessoas. E, contudo, em muitas cidades os pequenos rios urbanos são vistos como um problema, algo vedado e ignorado. As cidades redescobriram a importância dos rios principais, mas os pequenos afluentes, os riachos e as ribeiras são cobertos, desviados ou escondidos. Contudo, não é preciso muito para alterar o foco. Os espaços públicos ribeirinhos oferecem um ponto de encontro natural e neutro para todos os membros da comunidade, nos quais o rio atua como um mediador físico e metafórico. Espaços desconhecidos e pouco queridos podem tornar-se parte das infraestruturas da cidade. E mais importante, os habitantes da cidade ganham um espaço de encontro que assim se torna conhecido e querido.<hr/>At a basic level, water is a fundamental part of the human experience. Cities are, for the most part, founded on rivers. Water and rivers form a significant metaphor in describing, recording and celebrating historic and personal narratives. The title of this paper is inspired by a Persian fairy tale where a lovelorn princess, needing reassurance that the man she had fallen in love with was true, spoke to and heard back from the river. Symbolised by the river, water is the bringer of life and the connector of people. And yet… in many cities the small urban river is a problem, something to be fenced off and ignored. While cities have rediscovered the importance of major rivers in driving regeneration, smaller tributaries, streams and creeks are covered, diverted or hidden away. But it doesn't take much for the focus to change. Revitalised riparian public spaces provide a natural and neutral meeting point for all members of the community with the river acting as a physical and metaphorical mediator. Previously unloved and unknown spaces can become a key part of a city's infrastructure. More importantly, the city residents have a space to meet becoming, in turn, known and loved. <![CDATA[<b>Women's voices in diaspora</b>: <b>hip hop, spoken word, Islam and web 2.0</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este trabalho foca-se na produção artística de quatro artistas muçulmanas em diáspora - Poetic Pilgrimage, Alia Sharrief, Hanouneh e Alia Gabres - nos géneros hip hop e spoken word, com vista a analisar se as suas práticas culturais podem ser consideradas formas de ativismo político, cívico e social, com o potencial de alargar ou criar esferas públicas alternativas (Fraser, 1990). Articula uma forma de produção musical frequentemente associada ao Islão - o hip hop (Alim, 2005; Miah & Kalra, 2008) -, com uma prática artística de escrita e recitação de poesia, o spoken word, produzidas por mulheres muçulmanas em diáspora, migrantes ou descendentes de migrantes, de diversas proveniências e origens, com diferentes histórias de entrada no Islão, focando a sua agência na sua auto-representação, através tanto da sua produção artística, como da sua presença online (NTI e web 2.0). A diversidade das produtoras culturais e das suas formas de expressão visa ser demonstrativa da diversidade existente no Islão e anular estereótipos orientalistas (Saïd, 1979) que se lhes queiram impor.<hr/>This paper focuses on the artistic production of four hip hop and spoken word artists belonging to the Muslim diaspora, Poetic Pilgrimage, Alia Sharrief, Hanouneh and Alia Gabres, aiming to understand if such cultural practices can be understood as forms of political, civic and social activism, with the potential to broaden or create alternative public spheres (Fraser, 1990). It articulates a form of musical production often associated with Islam, hip hop (Alim, 2005; Miah & Kalra, 2008), with spoken word, produced by Muslim women in diaspora, migrants or descendants of migrants, with different backgrounds and different life stories associated with Islam, allowing them effective voice in their self-representation, considered from their online presence (NTI and web 2.0). The diversity of the cultural producers and their forms of expression considered in this paper is understood as an example of the diversity within Islam and also as a denial of any orientalist stereotypes (Saïd, 1979) about Muslim women. <![CDATA[<b>Memory as an interculturality booster in Maputo, through the preservation of the colonial statuary</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2183-35752019000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Por não se tratar de um assunto encerrado, onde a força das ideologias e dos reusos poderá alterar profundamente, ou até inverter, os modos da sua evocação, o passado colonial pode revelar-se problemático (Vecchi, 2018a). É o caso do colonialismo português que, de forma recorrente é invocado para sublinhar ressentimentos: quer do país que foi colonizado, quer do país colonizador (Ferro, 2009). Moçambique, logo que eclodiu em Portugal a Revolução do 25 de Abril de 1974, promoveu o apagamento dos símbolos do colonialismo. A previsível atitude, tendente a mostrar que a colonização tinha acabado veio, depois, a ser corrigida pelos futuros Governos, com as estátuas coloniais (pelo menos as que restaram), a serem deslocalizadas, onde passaram a poder ser observadas e contextualizadas. Tratou-se de uma ação com vista à preservação da memória, que pode permitir o desenvolvimento de dinâmicas interculturais, esbatendo o referido ressentimento: promovendo a problematização para perceber determinadas lógicas e, ao mesmo tempo, preencher vazios na memória esquecida e na identidade dos moçambicanos (Khan, Falconi & Krakowska, 2016). Este artigo referencia os casos relativos à nova vida de duas estátuas coloniais em Maputo - a de Mouzinho de Albuquerque e a de Salazar -, em tempo pós-colonial, e à permanência, até hoje, daquele que foi o primeiro vestígio monumental do Estado Novo (o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial), observando a importância que tem a preservação da memória na vida de um país, ou de uma nação, mesmo estando associada ao antigo colonizador. Esta espécie de descolonização mental (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), passa pela problematização da forma como o passado colonial pesa nas relações interculturais nos dias de hoje em Moçambique, quando o país se relaciona com o antigo colonizador, permitindo que os seus habitantes olhem para o passado como forma de construir dinâmicas de futuro.<hr/>Since this is a matter that is not yet resolved, where the strength of ideologies and reuses may change deeply or even reverse the ways it is evoked, the colonial past may become a problem (Vecchi, 2018a). This is the case of Portuguese colonialism which is frequently invoked to stress resentments: whether from the country that was colonised or the colonising country (Ferro, 2009). As soon as the Portuguese Revolution of 25 April 1974 took place, Mozambique promoted the elimination of colonialism symbols. This predictable attitude, aiming to show that the colonisation had ended, was later amended by the future Governments, with the colonial statues (at least, the ones that remained) being relocated to a place where they may be observed and contextualised. This action aimed to preserve the memory, which may enable the development of intercultural dynamics, softening the mentioned resentment: promoting questioning, in order to understand certain logics and, at the same time, filling gaps in the forgotten memory and in the Mozambican identity (Khan, Falconi & Krakowska, 2016). This paper refers to the cases related to the new life of two colonial statues in Maputo - Mouzinho de Albuquerque and Salazar -, during the post-colonial period and the permanence, until today, of the first monumental trace of Estado Novo [Second Republic] (Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial [World War I monument]), showing the importance that the preservation of memory has in a country or a nation's life, even when it is associated with the former coloniser. This sort of mental decolonisation (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), aims the questioning of the way the colonial past weighs on the current intercultural relations, in Mozambique, when the country establishes a relation with the former coloniser, allowing its inhabitants to look at the past as a way to build future dynamics.