Scielo RSS <![CDATA[Cadernos de Estudos Africanos]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=1645-379420120002&lang=en vol. num. 24 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Africanos e Afrodescendentes no Portugal Contemporâneo</b>: <b>Redefinindo práticas, projetos e identidades</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Marxian Crisis, Maussian Gift</b>: <b>The mutual-help practices of Lisbon’s Cape Verdean labor immigrants in an age of austerity</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en The post-2008 economic crisis in Portugal has been particularly severe in the neighborhoods in which many of the country’s Cape Verdean labor immigrants live. In this article, I will attempt to examine how my informants have conceptualized the current downturn, as well as how they have used ‘gifts’ of mutual help (djuda) to cope with, or even overcome, the profound challenges of living on a Lisbon periphery in crisis. An additional factor I will explore is the perception among my informants that the giving of mutual-help gifts has lost importance. I will argue that there is a disconnect between Cape Verdeans perceiving that their mutual-help practices are in decline and simultaneously needing the material support that they provide.<hr/>A crise económica que começou em Portugal a partir de 2008 tem sido particularmente grave nos bairros em que vivem a maior parte dos imigrantes cabo-verdianos do país. Neste artigo, tentarei analisar a maneira em que os meus informantes têm conceitualizado a actual crise, bem como a forma como têm usado “dádivas” de ajuda mútua (djuda) para aguentarem, ou mesmo ultrapassarem, os desafios de viver numa periferia de Lisboa em crise. Um outro fator que irei explorar é a percepção dos meus informantes de que a troca de dádivas de ajuda mútua tem perdido importância. Vou argumentar que há uma desconexão entre a percepção dos cabo-verdianos de que as suas práticas de ajuda mútua acontecem com cada vez menos frequência e, simultaneamente, a necessidade do apoio material que elas fornecem. <![CDATA[<b>“The Cape Verdean Race”</b>: <b>Identity-building in a suburban council estate</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en This article explores local articulations of identity among Cape Verdean descendants in a council estate near Lisbon. The argument addresses their notions of ‘Cape Verdeanness’ and ‘Africanness’, analysing how these are built and sustained in opposition to the “Portuguese”. It begins by pinpointing weak transnational (material and symbolic) ties with Cape Verde, moving to highlight widespread racism in Portugal’s political, media and social responses to African immigrants. Finally, it examines Cape Verdeans’ identity constructions, arguing that the categories, tacit meanings and group attributes they forge speak less of feelings of belonging to Cape Verde than of a “looping effect” whereby discursive elements of racism and segregation in Portuguese society are appropriated and reworked by the subjects themselves.<hr/>Este artigo explora as articulações identitárias de descendentes de cabo-verdianos num bairro de realojamento na região de Lisboa. O argumento aborda noções locais de “cabo-verdianidade” e “africanidade”, analisando a sua construção em oposição ao coletivo dos “portugueses”. Começa por assinalar-se as conexões transnacionais (materiais e simbólicas) fracas com Cabo Verde, salientando-se em seguida o racismo subjacente nas respostas políticas, mediáticas e sociais de Portugal aos imigrantes africanos. Analisam-se por fim as construções identitárias locais de cabo-verdianos de segunda geração, frisando como as categorias, os sentidos e os atributos coletivos por eles forjados se referem não à pertença subjetiva a Cabo Verde, mas antes a um “efeito de looping” pelo qual os preconceitos raciais da sociedade portuguesa são apropriados e reelaborados pelos próprios sujeitos. <![CDATA[<b>Cape Verdean Kriolu as an Epistemology of Contact</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Kriolu as language and sentiment represents a “contact perspective”, an outlook on life and medium of identification historically structured by the encounter. Cape Verde was born out of an early creole formation and movement is an essential part of Cape Verdean practices of language and identity. Most recently, the Portuguese state and third-party real estate developers have provided another scenario in the long series of (dis)emplacement dramas for Cape Verdeans as Lisbon administrations have pushed to demolish “improvised” housing and regroup people into “social” neighborhoods. I argue that neighborhoods such as Casal da Boba are not simply “contact zones” where differences are made manifest and subaltern agency is potentially given a stage. In the case of Cape Verdean Kriolu in Lisbon, the concept of “contact” is an epistemological one. This essay connects the empirical realities of Lisbon neighborhoods to the historically structured experiences of contact vis-à-vis colonialism, migration and language.<hr/>O crioulo, como língua e sentimento, representa uma “perspetiva de contato”, uma visão sobre a vida e um meio de identificação que se estrutura historicamente através do encontro. Cabo Verde nasceu de uma formação crioula e o movimento é parte essencial das práticas linguísticas e identitárias cabo-verdianas. Recentemente, o Estado português e promotores imobiliários criaram um novo cenário na longa série de dramas de (des)localização dos cabo-verdianos, quando os municípios da Área Metropolitana de Lisboa aceleraram a demolição de casas “improvisadas” e o realojamento dos seus moradores em bairros “sociais”. Defendo que bairros como o Casal da Boba não são simplesmente “zonas de contato” onde as diferenças se manifestam e a agência subalterna adquire potencial visibilidade. No caso do crioulo cabo-verdiano em Lisboa, o conceito de “contato” é epistemológico. O presente ensaio liga as realidades concretas dos bairros de Lisboa às experiências de contato historicamente estruturadas face ao colonialismo, à migração e à língua. <![CDATA[<b>Identity and style in Lisbon</b>: <b>Kuduro, youth and African immigration</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O kuduro é um estilo de dança e música que chegou a Portugal através da imigração africana. Recentemente, passou também a ser produzido entre jovens imigrantes ou descendentes na região metropolitana de Lisboa. Em tal contexto, formaram-se redes de produtores e consumidores de kuduro e se estabeleceram formas de sociabilidade nos bairros de Lisboa e dos municípios em seu entorno onde vivem as populações de imigrantes e seus descendentes oriundos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. É através das formas de expressão, da produção, da circulação e do consumo do kuduro que proponho analisar como se estabelecem sentidos compartilhados de identificação e diferença entre estes jovens.<hr/>Kuduro is a type of music and dance that arrived in Portugal with African immigration. In the last years, young immigrants or Afro-descendants in the metropolitan area of Lisbon are also producing it. In this setting, networks of producers and consumers of kuduro were created and new forms of sociability were established in the neighborhoods of Lisbon and surrounding municipalities where most immigrants from Angola, Cape Verde, Guinea-Bissau and São Tomé and Príncipe and their descendants live. This article seeks to analyze how shared senses of identification and differentiation among these youth groups are established through the forms of expression, production, circulation and consumption of kuduro. <![CDATA[<b>The Santomean women’s association in Lisbon</b>: <b>A matter of gender?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo propõe-se uma análise dos esforços de mulheres são-tomenses a residir na zona de Lisboa para erigir a sua associação e, se possível, com isso melhorar as suas vidas. Essa cooperação tem como móbil a origem comum e as histórias de dificuldades vivenciadas pelas imigrantes são-tomenses na região de Lisboa. A luta com as dificuldades é diária. Tais dificuldades referem-se ao comum dos obstáculos com que se deparam os imigrantes, mas, amiúde, referem-se igualmente ao peso desigual de responsabilidades entre são-tomenses ligados por laços familiares. Apesar das dificuldades derivadas da condição de imigrantes, apesar da idealização da terra natal, muitas mulheres não pretendem regressar, dada a equação (nem sempre verbalizada) das desvantagens do retorno ao arquipélago em termos das relações de género e da solidez dos projectos familiares. Em Lisboa, o quotidiano é difícil, mas menos incerto no tocante à longevidade dos projectos de vida familiar. Com base em testemunhos, este artigo pretende expor hipóteses de interpretação da situação das mulheres são-tomenses e dos seus esforços de interajuda, mormente na modelação (cautelosa) das relações de género entre os são-tomenses, mais fácil em contexto migratório do que na terra natal.<hr/>This paper proposes an analysis of the efforts of Santomean women residing in the Lisbon area to build their association and thus, if possible, to improve their lives. Common origin and shared histories of difficulties experienced by Santomean immigrant women in the Lisbon area provide the grounds for this grassroots endeavour. The difficulties Santomean women struggle with everyday are related in part to the usual obstacles faced by immigrants, but often stem also from the unequal gender distribution of family and other responsibilities among Santomeans. Despite the difficulties arising from the condition of immigrants, and despite the idealization of the homeland when abroad, many women do not consider turning back, for they take into account the disadvantages of returning to the archipelago regarding the balance of gender relations and the consolidation of family plans - even when they don’t articulate this motives quite explicitly. Daily life in Lisbon is hard, but it is also less uncertain in what concerns the durability of family life projects. Based on testimonies of Santomean women living in the Lisbon area, this article aims to explore some hypotheses of interpretation of Santomean women’s situation and their practices of mutual-help, considering especially the (cautious) modelling of gender relations, easier in the context of migration than in the homeland. <![CDATA[<b>Transnationality and life history</b>: <b>A Hindu woman back to Maputo</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en A história contemporânea do lado oriental do continente africano está associada à história do lado ocidental do subcontinente indiano, através do comércio e da mobilidade social, num cruzamento geográfico, histórico e cultural. Neste artigo, que segue uma tendência dos estudos transnacionais para a incorporação das histórias de vida, conta-se a história de uma mulher hindu que emigrou da Índia para Moçambique, de Moçambique para Portugal, de Portugal para o Reino Unido. Doze anos depois de ter deixado Moçambique, M. realizou uma viagem a Maputo onde reviu amigos e familiares. Se em Portugal e no Reino Unido o eixo africano da diáspora hindu-gujarati portuguesa parecia estar esquecido, a revisitação dos espaços e contextos sociais anteriormente vividos fez salientá-lo de novo.<hr/>Contemporary history of East Africa is linked with the history of West South Asia through trade and through social mobility, in a geographic, historical and cultural linkage. This paper follows a trend in transnational studies to incorporate life histories in order to thicken our knowledge. It recounts the story of a Hindu woman that migrated from India to Mozambique, from Mozambique to Portugal and from there to the United Kingdom. Twelve years after leaving Mozambique, M. went back to Maputo where she visited old friends and relatives. While M. was living in Portugal and in the UK, the African axis of the Portuguese Hindu-Gujarati diaspora seemed to have been forgotten; however, when she revisited places and social contexts where she had lived before, this axis was revived with old and new meanings. <![CDATA[<b>Cinematic and Literary Representations of Africans and Afro-descendants in Contemporary Portugal</b>: <b>Conviviality and conflict on the margins</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en This article offers an analysis of feature films and literary fiction related to sub-Saharan African immigrants and their descendants in contemporary Portugal. I investigate how this cultural production reflects the changing Portuguese nation, where the boundaries between postcolonial Portugal and its former African colonies, as well as the notions of what constitutes “being African” or “being European”, are being redefined.<hr/>Este artigo propõe uma análise de longas-metragens e romances ligados às experiências de africanos e afrodescendentes no Portugal contemporâneo, visando investigar como a dita produção cultural reflete uma nação portuguesa em plena mutação, onde as fronteiras entre o Portugal pós-colonial e as ex-colónias africanas, tal como as noções acerca do que é “ser africano” ou “ser europeu”, estão a ser redefinidas. <![CDATA[<b>Vidas Plurais</b>: <b>Estratégias de Integração de Imigrantes Africanos em Portugal</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en This article offers an analysis of feature films and literary fiction related to sub-Saharan African immigrants and their descendants in contemporary Portugal. I investigate how this cultural production reflects the changing Portuguese nation, where the boundaries between postcolonial Portugal and its former African colonies, as well as the notions of what constitutes “being African” or “being European”, are being redefined.<hr/>Este artigo propõe uma análise de longas-metragens e romances ligados às experiências de africanos e afrodescendentes no Portugal contemporâneo, visando investigar como a dita produção cultural reflete uma nação portuguesa em plena mutação, onde as fronteiras entre o Portugal pós-colonial e as ex-colónias africanas, tal como as noções acerca do que é “ser africano” ou “ser europeu”, estão a ser redefinidas. <![CDATA[<b>Portuguese Colonial Cities in the Early Modern World</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-37942012000200010&lng=en&nrm=iso&tlng=en This article offers an analysis of feature films and literary fiction related to sub-Saharan African immigrants and their descendants in contemporary Portugal. I investigate how this cultural production reflects the changing Portuguese nation, where the boundaries between postcolonial Portugal and its former African colonies, as well as the notions of what constitutes “being African” or “being European”, are being redefined.<hr/>Este artigo propõe uma análise de longas-metragens e romances ligados às experiências de africanos e afrodescendentes no Portugal contemporâneo, visando investigar como a dita produção cultural reflete uma nação portuguesa em plena mutação, onde as fronteiras entre o Portugal pós-colonial e as ex-colónias africanas, tal como as noções acerca do que é “ser africano” ou “ser europeu”, estão a ser redefinidas.