Scielo RSS <![CDATA[Psicologia, Saúde & Doenças]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=1645-008620160001&lang=pt vol. 17 num. 1 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Desafios da psicologia da saúde num mundo em mudança</b>: <b>Número da Revista dedicado ao 11º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<b>Qualidade de vida na infeção VIH</b>: <b>perfis segundo o modo de transmissão</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Viver com o VIH pode diferir de forma importante segundo o modo de aquisição do VIH. Considerar esta diferença é essencial para evitar abordagens one-size-fits-all. O objetivo deste estudo consistiu em avaliar os perfis de qualidade de vida (QdV) segundo a categoria de transmissão do VIH e analisar os domínios que contribuem para a QdV geral. A amostra deste estudo transversal foi composta por 1112 doentes infetados com o VIH, recrutados nos serviços de doenças infeciosas de 10 hospitais de Portugal. Todos os participantes preencheram o questionário WHOQOL-HIV-Bref. Os resultados revelaram diferenças significativas nos domínios de independência, ambiente e espiritualidade, e na faceta geral de QdV. O grupo que reportou aquisição do VIH por via de drogas intravenosas (DIV) reportou pior QdV que o grupo de homens que têm sexo com homens (HSH) e o grupo que referiu transmissão heterossexual. Este último apresentou significativamente pior QdV no domínio ambiente e na faceta geral que o grupo HSH. Os domínios psicológico e independência contribuíram para a QdV geral de todos os grupos, porém, os domínios físico e ambiente só contribuíram para a QdV geral dos grupos de transmissão por DIV e heterossexual. Os resultados sugerem importantes diferenças segundo o modo de transmissão do VIH e reforçam a importância de intervenções de promoção da QdV adaptadas às características e necessidades destes diferentes subgrupos da população com VIH.<hr/>Living with HIV may differ significantly in function of the acquisition mode of HIV. Considering this difference is crucial to avoid one-size-fits-all approaches. The aim of this study was to assess the profiles of quality of life (QoL) according to the mode of HIV transmission and to analyze the domains that contribute to the overall QoL. The sample of this cross-sectional study comprised 1112 HIV-infected patients, recruited at the departments of infectious diseases of 10 Portuguese hospitals. All participants completed the WHOQOL-HIV-Bref questionnaire. The results revealed significant differences in the independence, environment, and spirituality domains, and in the overall facet of QoL. The group that reported HIV acquisition through intravenous drug use (IDU) reported poorer QoL than group of men who have sex with men (MSM) and the group that reported heterosexual transmission. This last group also presented significantly worse QoL in the environment domain and in the overall facet than the MSM group. The psychological and independence domains contributed significantly to the overall QoL of all groups; however, the physical and environment domains were only significant contributors to the overall QoL of IDU and heterosexual transmission groups. The results suggest important differences in function of the category of HIV transmission and reinforce the importance interventions for promoting QoL tailored to the characteristics and needs of these different subgroups of the HIV population. <![CDATA[<b>Comportamento antissocial na adolescência</b>: <b>o papel de características individuais num fenómeno social</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Os comportamentos antissociais são mais prevalentes na adolescência em relação a outras etapas do ciclo vital, constituindo um desafio assinalável já que ocorrem numa etapa em que os indivíduos enfrentam importantes tarefas de construção de identidade e estabelecimento de relações sociais de forma saudável. A presente investigação estudou as relações entre comportamento antissocial e características individuais (género, personalidade, competências sociais, autoconceito e perceção de ambiente familiar) numa amostra ocasional de 489 adolescentes. Foi solicitado o preenchimento das versões portuguesas do Youth Self-Report, Questionário de Personalidade de Eysenck, Escala de Autoconceito de Piers Harris e Social Skills Questionnaire, tendo os encarregados de educação preenchido a versão portuguesa do Child Behaviour Checklist. Os resultados revelam diferenças significativas entre rapazes e raparigas e, de um modo geral, entre adolescentes com maior e menor tendência antissocial. É também confirmado o papel da personalidade, empatia, autoconceito e perceção do ambiente familiar, quer no comportamento antissocial autorrelatado, quer no comportamento agressivo reportado pelos pais. São delineadas estratégias, com base nos resultados obtidos, para intervir junto da população geral, no sentido de promover um desenvolvimento sócioafetivo saudável na adolescência e, assim, prevenir a um nível primário a escalada de comportamentos desviantes neste estádio de desenvolvimento.<hr/>Antisocial behaviours are more prevalent in adolescence than in other stages of the life cycle. It is a remarkable challenge to address these behaviours that occur in a stage when individuals face important tasks that involve building their identity and healthy social relationships. This research studied the relations between antisocial behaviour and individual characteristics (gender, personality, social skills, self-concept and family environment perceptions) in an occasional sample of 489 adolescents. We asked participants to fill the Portuguese versions of Youth Self-Report, Eysenck’s Personality Questionnaire, Piers-Harris Self-Concept Scale and Social Skills Questionnaire. Parents filled the Portuguese version of Child Behaviour Checklist. Results show significant gender differences and, generally, significant differences between adolescents with higher and lower antisocial tendency. We were also able to confirm the role of personality, empathy, self-concept and family environment both in self-reported antisocial behaviour and in parent-reported aggressive behaviour. We define intervention strategies aimed at the general population to promote healthy adolescent socioemotional development and, consequently, prevent, on a primary level, an increase in deviant behaviours during this developmental stage. <![CDATA[<b>Uso de <i>eye tracking</i> em realidade virtual não imersiva para avaliação cognitiva</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A atenção e a memória de trabalho são funções cognitivas básicas humanas. Uma resposta comportamental adequada, face a um ambiente em constante mudança, depende da integridade destas funções. Quando estas funções estão comprometidas, a aplicação de ambientes de realidade virtual (ARV) pode ser uma técnica valida para avaliação e reabilitação dessas capacidades. No entanto, a maioria dos ARV regista medidas indiretas para fazer inferências sobre os processos atencionais e mnésicos (e.g., tempo para a conclusão da tarefa, taxa de erros). O eye tracking (ET) pode contornar algumas limitações das medidas comportamentais, visto permitir avaliar onde ocorre foco atencional e como se desloca. Foram registados os movimentos oculares de 39 estudantes universitários (25 mulheres; n= 64%), com 1 média de idades de 29,8 anos (DP = 12,2) durante duas tarefas de pesquisa visual comparativa aleatórias, fazendo parte de um conjunto de tarefas cognitivas da Systemic Lisbon Battery (SLB), uma ARV concebida para avaliar défices cognitivos. A duração total da fixação ocular, o número de visitas nas áreas de interesse, bem como o tempo total de execução variariam em função dos grupos com diferentes scores no Mini Mental State Examination (MMSE). Os resultados mostram que a aplicação destas tarefas, presentes na SLB, quando combinadas com ET, é um método confiável e não intrusivo para avaliar capacidades cognitivas em indivíduos saudáveis e com potencial uso em amostras clínicas.<hr/>Attention and working memory are basic human cognitive abilities. An adequate behavioral response, due to constant changes in the environment, depends on the integrity of these abilities. When these cognitive functions are impaired, the use of virtual reality applications (VRAs) can be a reliable technique for assessing and rehabilitating these cognitive processes. However, most VRAs use indirect measures to make inferences about visual attention and mnesic processes (e.g., time to task completion, error rate). The eye tracking (ET)can offer a better alternative to probe more directly where and how attention is deployed. The eye movements of 39 healthy participants (25 Female; n= 64%), with an age average of 29,8 years old (SD= 12.2), were continuously recorded while two comparative visual search tasks, as part of a set of cognitive tasks in the Systemic Lisbon Battery (SLB), a VRA designed to assess of cognitive impairments were randomly presented. The total fixation duration, the number of visits in the areas of interest, along with the otal execution time were significantly different as a function of the Mini Mental State Examination scores. The present study demonstrates that the “spot the differences” tasks in SLB, when combined with ET, can be reliable and unobtrusive method for assessing cognitive abilities in healthy individuals with a relevant potential use in clinical samples. <![CDATA[<b>Trauma e religião</b>: <b>um modelo de adaptação psicológica baseado no coping religioso</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Em geral os modelos de stresse traumático atribuem a causa dos sintomas traumáticos à violação das crenças acerca do mundo e de si próprio. Uma forma eficaz de restaurar essas crenças é reavaliar o significado do acontecimento traumático de uma forma mais positiva através de um processo conhecido por construção de significado. A religião pode ser uma ajuda nesse processo ao oferecer crenças que poderão levar à compreensão do sofrimento. Alguns estudos empíricos concluem, no entanto, que o recurso à religião nem sempre leva a resultados psicológicos positivos, o que nos deixa sem saber se os recursos religiosos são realmente eficazes para lidar com os acontecimentos traumáticos. Para compreendermos a forma como a religião pode levar a resultados psicológicos negativos, estudos recentes apontam para a necessidade de analisar o conteúdo específico das crenças religiosas. Na realidade as crenças específicas acerca do porquê do sofrimento humano, as chamadas teodiceias, têm sido surpreendentemente ignoradas. Este artigo pretende portanto: 1) rever a literatura acerca destas crenças religiosas específicas, e descrever o seu papel na atribuição do significado dos acontecimentos traumáticos, 2) descrever como as teodiceias podem interagir com outras crenças do mundo e de nós próprios para se compreender as diferenças individuais nas respostas de coping, e 3) propor um modelo de adaptação psicológica baseado no coping religioso que reflete a forma como a religião influencia o processo de construção de significado<hr/>Many models of traumatic stress are today focusing on the role of world and self beliefs as a cause of trauma symptoms. A way of restoring these beliefs is by positively re-appraising the meaning of the traumatic event through a process known as meaning-making coping. Religion can help in this process by providing beliefs that help in the understanding of suffering. However, empirical research has concluded that religion doesn't always lead to positive psychological outcomes, leaving us to question whether someone is better off or not using their religious resources to cope with traumatic events. In order to understand how religion can also lead to negative psychological outcomes, recent studies have suggested looking at the specific content of religious beliefs as they may shape the cognitive process including the perception of stress. Specific religious beliefs regarding the reasons for suffering; theodicies are one set of beliefs that has been surprisingly ignored. This paper therefore: 1) synthesizes the literature regarding theodicies by describing their role in the process of attributing meaning to a traumatic event, 2) describes how theodicies can interact with other beliefs we hold about the world and ourselves and how this may lead to individual differences in the coping response, and 3) proposes a psychological adaptation model based on religious coping which reflects the way that religion is used within the meaning-making process <![CDATA[<b>A relevância das medidas individualizadas</b>: <b>ouvimos o paciente mas captamos a história?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt As medidas individualizadas usadas na avaliação de resultados terapêuticos, permitem ao paciente identificar os aspetos que mais valoriza na apreciação de melhoria clínica. O PSYCHLOPS, como medida individualizada, convida o paciente a definir os próprios itens. Neste estudo, os itens sugeridos pelos pacientes foram comparados com os conteúdos de instrumentos estandardizados e validados na avaliação de resultados terapêuticos. Uma amostra de conveniência (n=107) composta por pacientes da consulta de psicologia do Hospital Espírito Santo (Évora), e de três Centros de tratamento para abuso de substâncias preencheram o PSYCHLOPS e, de seguida dois instrumentos apresentados de forma aleatória: o CORE-OM e o PHQ-9. Os 279 itens definidos pelos pacientes no PSYCHLOPS foram codificados através de análise temática, em 51 categorias. Problemas relacionados com o trabalho foi a categoria mais identificada pelos pacientes, como relevante para avaliar o efeito clínico. Das 51 categorias, 17 (33,3%) não estão representadas no CORE-OM e 43 (84,3%) não estão representadas no PHQ-9. A maioria dos pacientes indicou pelo menos um item não existente nem no CORE-OM nem no PHQ-9. Estes dados demonstram a importância das medidas individualizadas para identificar as preocupações mais valorizadas pelo paciente, o que poderá ter implicações para o processo de avaliação da mudança terapêutica.<hr/>Individualized measures are relevant for the assessment of therapeutic results and allow patients to identify the aspects that they value the most in assessing their clinical improvement. PSYCHLOPS, as an individualized measure, invite the patient to create their own items. The items created by the patients were compared with the contents of standardized measures. A sample composed by 107 patients admitted for psychological treatment in Hospital Espírito Santo (Évora), and three institutions for drug misuse fill in the PSYCHLOPS and two standardized measures presented in a random order: CORE-OM and PHQ-9. 279 items were created in PSYCHLOPS and later recoded, by thematic analysis, in 51 subthemes. Work-related problems was the most common subtheme identified by patients as relevant to the clinical improvement assessment. From the 51 subthemes, 17 (33.3%) were not represented in CORE-OM and 43 (84.3%) were not represented in PHQ-9. The majority of our sample indicated at least one subtheme that was not represented in CORE-OM and PHQ-9. These results show us the importance of individualized measures in identifying the patients’ most value concerns, which may have implications in the therapeutic process. <![CDATA[<b>Representação identitária dos usuários com diabetes <i>mellitus</i> da atenção primária</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt As pessoas com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) ao descobrirem a doença experimentam rupturas na identidade e nos comportamentos. Uma das formas de se aprofundar o conhecimento da visão subjetiva da pessoa com DM 2 é buscar suas representações identitárias, fenômeno dinâmico composto pelas representações de si-mesmo e representações intergrupo. Investigar a construção das representações identitárias dos usuários com DM2 da atenção primária à saúde e sua relação com as ações de autocuidado requeridas. Utilizou-se a associação livre de palavras, solicitando aos usuários com diabetes melittus tipo 2 de uma unidade básica de saúde (n=34) que sugerissem uma palavra ou expressão, com justificativa, após a questão indutora: quando se fala em eu sou diabético, o que vem à sua mente? Os discursos foram gravados, transcritos, categorizados e interpretados pela técnica da análise do conteúdo temático-categorial e as teorias da representação social e identidade social. As interações mediadas pelos processos identitários - comparação social, atribuição social e categorização no grupo estudado, proporcionaram a construção social das representações identitárias “normal”, “aceitar a doença”, “ser inconformado”, “ter dificuldades” dos participantes com DM2. Os profissionais da saúde devem compreender o contexto permeado pelo sentido subjetivo das pessoas com DM2 alterado pela doença, além do ponto de vista biomédico.<hr/>People with type 2 diabetes mellitus (DM2) to discover the disease experience disruptions in identity and behavior. One of the ways to deepen the knowledge of the subjective view of the person with diabetes 2 is to seek their identity representations, dynamic phenomenon composed of representations of self and intergroup representations. To investigate the construction of the identity representations of users with DM2 of primary health care and its relationship with self-care actions required. We used the free word association, prompting users with diabetes mellitus type 2 in a basic health unit (n = 34) to suggest a word or phrase, with justification, after inducing question: when it comes to “I am diabetic, what comes to your mind?”. The speeches were recorded, transcribed, categorized and interpreted by analyzing the technique of thematic-categorical content and theories of social representation and social identity. The interactions mediated by identity processes - social comparison, social attribution and categorization in the study group, provided the social construction of identity representations “ normal”, “accepting the disease”, “being unaccepting, and “leading a difficult life”. Health professionals must understand the context permeated by subjective sense of people with DM2 changed by the disease, beyond the biomedical viewpoint. <![CDATA[<b>Imagem corporal e qualidade de vida na obesidade pediátrica</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Muitos estudos têm mostrado que as crianças e adolescentes com obesidade apresentam pior qualidade de vida (QdV) e maior insatisfação com a imagem corporal, comparativamente a crianças e adolescentes de peso saudável. Contudo, até ao momento, não é conhecido o papel da imagem corporal no ajustamento psicossocial destes jovens, nem são bem compreendidas as especificidades desenvolvimentais e de género. Deste modo, o presente estudo pretende comparar a QdV e a insatisfação com a imagem corporal de rapazes e raparigas, crianças e adolescentes, com peso saudável e com obesidade. Adicionalmente, pretende analisar se a relação entre o peso e a QdV é mediada pela insatisfação com a imagem corporal e moderada pelo género das crianças e adolescentes. A amostra contém 155 crianças e adolescentes com peso saudável e 207 crianças e adolescentes com obesidade, entre os 8 e os 18 anos de idade. Os participantes preencheram o KIDSCREEN-10 e a Escala de Silhuetas de Collins. As crianças e adolescentes com obesidade apresentaram pior QdV e maior insatisfação com a imagem corporal, comparativamente a crianças e adolescentes de peso saudável. Adicionalmente, observou-se que as raparigas reportam pior QdV e estão mais insatisfeitas com o seu corpo do que os rapazes. Verificou-se também que a insatisfação com a imagem corporal mediou a relação entre o peso e a QdV, mas apenas no grupo de adolescentes. As crianças e adolescentes com obesidade tendem a apresentar pior QdV e a estarem mais insatisfeitas com a sua imagem corporal. A satisfação com a imagem corporal demonstrou ser um importante mecanismo explicativo da relação entre o peso e a QdV, tornando-se um alvo de intervenção relevante, especialmente em adolescentes. Importância deve ser dada à prevenção e intervenção psicológica precoce em equipas multidisciplinares capazes de detetar e intervir eficazmente nos problemas psicossociais das crianças e adolescentes com obesidade.<hr/>Obesity is a serious pediatric health condition that is associated with poorer quality of life and higher levels of body image dissatisfaction (BID). However, the role of body image in the psychosocial adjustment of these youth as well as the developmental and gender specificities remains unknown. Therefore, this study aims to compare the levels of quality of life and BID of boys and girls, children and adolescents, with normal-weight and obesity. Specifically, it aims to explore whether the association between weight status and quality of life is mediated by BID as well as the moderating role of youth's gender on these associations. The sample comprised 362 children and adolescents aged 8-18 years with normal weight (n = 155) and obesity (n = 207). All participants completed KIDSCREEN-10 and Collins Body Image scale. Obese children and adolescents reported poorer quality of life and higher BID compared with their normal-weight counterparts. Additionally, girls reported poorer quality of life and higher rates of BID than boys. BID mediated the relationship between weight status and quality of life, but only for youth above 12 years old. Pediatric obesity is associated with poorer psychosocial adjustment, which underlines the need for preventive and early interventions in multidisciplinary teams. An important target in psychological interventions seems to be BID, which proved to be an important mechanism linking obesity and decreased quality of life among adolescents. <![CDATA[<b>Biofeedback e ansiedade no ensino superior</b>: <b>comparação da eficácia entre dois programas breves</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este estudo dá continuidade à investigação sobre a eficácia do Biofeedback na ansiedade em alunos do ensino superior. Procurando soluções acessíveis e de duração cada vez mais reduzida, pretendeu-se comparar a eficácia entre dois programas breves, com 5 e 8 sessões, de Biofeedback. Foram selecionados 32 alunos do primeiro ano, com valores elevados na Escala de Ansiedade Traço (STAI-Y2). Utilizando o Biofeedback 2000 X-pert submeteu-se um grupo (n=11) a oito sessões, enquanto outro grupo (n=9) realizou apenas 5 sessões. Um terceiro grupo (n=12) não foi alvo de qualquer intervenção. Os resultados obtidos na STAI-Y2 no início do estudo foram comparados com os obtidos no seu final. Verificou-se uma redução significativa dos valores da STAI-Y2 nos grupos de Biofeedback (p=0,05 no grupo com 5 sessões; p=0,003 no grupo com 8 sessões). Foram também encontradas diferenças significativas entre os valores da STAI-Y2 pós-intervenção entre o grupo de controlo e o grupo com 8 sessões de Biofeedback (p=0,001). Estes resultados reforçam a pertinência da utilização de programas breves de Biofeedback na problemática da ansiedade, ainda que com alguma reserva face a programas de 5 sessões. Futuros estudos, principalmente na população portuguesa, são necessários para reforçar a eficácia destes programas. Caracterizados por uma boa relação custo/eficácia, os programas de Biofeedback apresentam-se como uma alternativa válida para a intervenção na ansiedade.<hr/>This study follows Biofeedback (BFB) efficacy in higher education student’s levels of anxiety research. Looking for easy access, short duration programs, we tried to compare two brief programs, with 5 and 8 sessions of BFB. 32 1st year students with high State-Trait Anxiety Index (STAI-Y2) values. Using Biofeedback 2000 x-pert, one group (n=11) underwent 8 sessions, another (n=9) did 5 and a third group (n=12) underwent no intervention. Results were compared at the end. A significant reduction of STAI Y-2 values was observed on both BFB groups (p=0.05 in the 5 session group, p=0.003 in the 8 session one). Significant differences were also found between the control group and the 8 BFB session group (p=0.001). These results suggest the relevance of using brief BFB programs in dealing with anxiety in Higher Education, albeit with some care considering the 5 session program. Future studies, especially in the Portuguese population, are necessary to strengthen these programs’ efficacy. Having a good cost/efficacy relationship, BFB programs appear as a valid option for intervention in anxiety. <![CDATA[<b>Melhora cognitiva durante tap test em pacientes com hidrocefalia de pressão normal</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A hidrocefalia de pressão normal (HPN) em geral ocorre entre 7ª e 8ª décadas de vida. Composta por uma tríade de sintomas (marcha, urinária e cognição), é uma das causas de demência potencialmente reversíveis, através do tratamento cirúrgico (implante de válvula cerebral). Exames complementares como o tap test em série (exame da punção lombar) podem melhorar o diagnóstico. O objetivo foi estudar o impacto do tap test sobre a cognição de portadores de HPN. 17 participante (sete homens e 10 mulheres), idade entre 76 e 41 anos e escolaridade de 9,1 anos, selecionados de um grupo de 53 sujeitos segundo critérios de Relkin foram avaliados em três etapas envolvendo domínio cognitivo e marcha: antes da punção (pré-tap); Após a primeira punção lombar (pós-tap 1); e no dia seguinte, após a nova punção (pós tap 2). Neste subgrupo análise estatística apontou diferença significativa entre os resultados pré-tap e póstap na prova de dígitos ordem direta (p<0,013), dígitos ordem inversa (p<0,013); fluência de animais (p<0,004) e na primeira etapa do teste de Stroop (p<0,033). Neste grupo os pacientes obtiveram melhora do desempenho em alguns testes de funções executivas, o que parece estar relacionado a melhora na velocidade de processamento mental.<hr/>Idiopathic normal pressure hydrocephalus (INPH) is a syndrome characterized by the classic triad of gait disturbance, potentially reversible dementia (progressive mental deterioration) and urinary incontinence. The dementia can involve executive dysfunction, memory failures and bradyphrenia. The criteria for referral for ventriculoperitoneal shunting are still controversial but include the results of a spinal tap, which is performed to simulate the effect of shunting and to analyze the impact of cerebrospinal fluid (CSF) drainage on the patient’s gait. Objective: To evaluate the immediate effect of a spinal tap on the executive functions of patients with a diagnosis of probable INPH. Methods: Seventeen participants (seven men and ten women) aged 76.41+6.24 years (mean+SD) with 9.01+4.40 years (mean+SD) of schooling were selected from a group of 130 individuals tested. The neuropsychological tests of executive functions used were the Stroop test, digit span task, verbal fluency (animals and letters) (FAR) and MMSE. Patients were evaluated in three stages: before the first CSF drainage and after the first and second CSF drainages. Results: Statistical analysis showed significant differences between the pre-spinal tap and post-spinal tap results in the forward (p<0.013) and backward (p<0.037) digit span task, the animal fluency (p<0.004) and the first stage of the Stroop test (p<0.033). Significant differences were not observed in the orientation test (WMS), mental control (WMS) or MMSE. Conclusion: Of the various tests performed, executive function tests most clearly showed changes resulting from CSF drainage in patients with normal pressure hydrocephalus (NPH). The improvement appears to be related to an improvement in mental processing speed. <![CDATA[<b>Impacto intergeracional da perturbação mental em jovens com história de vitimação</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt In Portugal, the Child Protection Services (CPS) followed 73,019 processes in 2014 alone, 1,452 more than the previous year. Portugal has the second highest prevalence of mental illness among the nine European countries evaluated; it is estimated that 42.7% of the population has at least one mental disorder throughout their life. Parental psychopathology is a risk factor for a set of seriously negative consequences in offspring, including mental health problems. The aim of this study is to explore the effects of parental mental disorder in the development of mental health among young people identified as victims of maltreatment. The sample in this study included 29 young adults aged between 18 and 25 years, identified as victims of abuse in childhood by the CPS. Our findings suggest that CPS identification of parental mental disorder statistically discriminates against these young adults in terms of general psychological distress and a set of Brief Symptom Inventory dimensions. Despite the detection of parental mental disorders and CPS intervention into families, mental health consequences were identified five years later. This study provides a set of politic recommendations on the protection of children and youth.<hr/>Ao longo do ano de 2014 foram acompanhados em Portugal 73019 processos de promoção e proteção, um aumento de 1452 processos desde o ano anterior. A prevalência de perturbações mentais ao longo da vida em Portugal é 42,7% apresentando a segunda prevalência mais elevada entre nove países da Europa. A perturbação mental dos pais tem sido associada a um conjunto de consequências negativas no desenvolvimento dos filhos, incluindo problemas psicológicos. Pretende-se explorar o efeito intergeracional da perturbação mental em jovens acompanhados por Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) cuja perturbação mental dos pais foi detetada e a família alvo de intervenção. Participaram 29 jovens entre os 18 e os 25 anos (M=19 anos, DP=1,69), identificados quando menores pela CPCJ como maltratados. A presença de perturbação mental dos pais diferenciou estatisticamente os jovens ao nível da psicopatologia geral e de um conjunto de dimensões do BSI. Apesar da deteção da perturbação mental dos pais e do acompanhamento das famílias notam-se consequências na saúde mental dos filhos passados em média cinco anos. Deste estudo resulta um conjunto alargado de recomendações políticas na área da promoção e proteção da infância e juventude. <![CDATA[<b>Que mães/futuras mães utilizam a internet para questões relacionadas com saúde mental?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Com o desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação, a procura de informação sobre saúde na internet tem vindo a crescer. O objetivo deste estudo foi caracterizar o padrão de utilização de Internet para questões relacionadas com saúde e saúde mental de mulheres no período perinatal e analisá-lo em função de características sociodemográficas, clínicas e de literacia em eHealth. Neste estudo online, transversal e quantitativo, participaram 546 mulheres no período perinatal (57% no pós-parto). Foram recolhidos dados sociodemográficos, clínicos e de utilização de Internet para questões de saúde, e preenchidas a Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh e a Escala de Literacia em eHealth. A maioria das participantes já utilizou a Internet para pesquisar sobre sintomas psicopatológicos (59.9%), mas menos sobre opções de tratamento (33.5%) ou profissionais de saúde (27.5%), e poucas interagiram com estes online (6%). As participantes com história prévia de problemas ou tratamento psicológicos/psiquiátricos, tratamento psicológico/psiquiátrico atual, níveis superiores de sintomatologia depressiva e literacia em eHealth, reportaram maior probabilidade de utilizar a internet para comportamentos de pesquisa de informação e interação relacionados com saúde mental. A maioria das mães/futuras mães recorre à internet para obter informação sobre saúde mental, nomeadamente aquelas com presença ou história prévia de dificuldades emocionais. Os profissionais de saúde deverão discutir a informação acedida por estas mulheres, para garantir a sua qualidade e adequada compreensão. Abordagens eHealth complementares podem ser vantajosas no contexto de saúde português.<hr/>With the development of new information and communication technologies, searching of health information on the Internet has been growing. The aim of this study was to characterize the pattern of Internet use for questions related to health and mental health of women during the perinatal period, and to analyze the sociodemographic, clinical and eHealth literacy characteristics associated with this pattern. The sample of this cross-sectional and quantitative online survey consisted of 546 women in the perinatal period (57% at postpartum). Data on sociodemographic, clinical, and eHealth information and participatory behaviors were collected; participants also completed the Edinburgh Postnatal Depression Scale and the eHealth Literacy Scale. Most participants have used the Internet for searching for psychopathological symptoms (59.9%), but less frequently for treatment options (33.5%) or mental health professionals (27.5%), and fewer interacted with these professionals online (6%). Participants with past history of psychological/psychiatric problems or treatment, with current psychological/psychiatric treatment, reporting more depressive symptoms and higher eHealth literacy levels were more likely to use the Internet for informational and participational eHealth behaviors related to mental health. Most mothers/expecting mothers used the Internet to search information about mental health, namely those with past or actual emotional difficulties. Professionals should discuss information retrieved by these women to ensure its quality and appropriate comprehension. Complementary eHealth approaches may be beneficial in the Portuguese health context. <![CDATA[<b>Qualidade de vida na úlcera de pé diabético</b>: <b>não amputados versus amputados</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A úlcera do Pé Diabético acarreta várias consequências para o indivíduo, família e sistema de saúde. O objetivo deste estudo é caracterizar a QdVRS de uma amostra de doentes com Pé Diabético e perceber se existem diferenças ao nível da QdVRS física (QVF) e QdVRS Mental (QVM) quando comparados com doentes com Pé Diabético já amputados. Estudo transversal que incluiu 175 doentes com úlcera de Pé Diabético. Destes, 102 doentes já tinham sido amputados e os restantes 73 iriam ser submetidos a uma amputação, pela primeira vez. Os doentes foram avaliados durante a hospitalização usando um questionário sociodemográfico e clínico bem como o SF-36. Os doentes apresentaram níveis baixos de QVF e moderados de QVM. Verificaram-se diferenças na QdVRS nos doentes com úlcera de Pé Diabético não amputados versus os doentes com úlcera de Pé Diabético já amputados, ao nível do género, idade, estatuto profissional e tipo de pé. Não se verificaram diferenças ao nível da QVF e QVM entre os doentes amputados e não amputados, mas os doentes com úlcera de Pé Diabético não amputados apresentaram melhor saúde geral quando comparados com os doentes já amputados. O nível da amputação revelou-se importante ao nível da saúde mental. Este trabalho enfatiza a necessidade de intervenções multidisciplinares para promover a QdVRS, nos doentes com ulceras de Pé Diabético não amputados e nos já amputados. Assim, o acompanhamento psicológico revela-se fundamental, nesta população.<hr/>A Diabetic Foot Ulcer (DFU) has several implications for individual, family and the health system. The aim of this study was to characterize the Health Related Quality of Life (HRQoL), in a sample of patients with DFU and to find differences in physical (PHRQoL) and mental quality of life (MHRQoL) when compared with patients already amputated. Cross sectional study including 175 patients with Diabetic Foot Ulcer. Of these, 102 were already amputated and 73 were going to be amputated for the first time. Patients were assessed during hospitalization using a socio demographic and clinical questionnaire as well as the SF-36. Patients showed low levels of PHRQoL and moderate levels of MHRQoL. There were differences in HRQoL in non-amputee patients with DFU versus patients with DFU already amputated, according to gender, professional status, age and type of foot. There were no differences in non-amputee and amputees patients on PHRQoL and MHRQoL but non- amputee patients with DFU showed better general health compared with patients already amputated. The level of amputation proved to be important for mental health. This study emphasizes the need for multidisciplinary interventions to promote HRQoL in non-amputee patients with DFU and those already amputated. Thus, psychological support seems essential, in this population. <![CDATA[<b>Exaustão emocional e reconhecimento de emoções na face e voz em médicos</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862016000100014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este estudo analisou a identificação de expressões emocionais de dor, tristeza e alegria na face e na voz junto de Médicos de Medicina Geral, em função da exaustão emocional percebida. A amostra foi composta por 72 médicos e o estudo realizado em dois momentos. Na primeira fase, aplicou-se vários questionários que incluíram a versão portuguesa do Maslach Burnout Inventory para medir a exaustão emocional. Após uma semana, foram realizadas duas tarefas: identificação de emoções em expressões faciais (tarefa 1) e identificação da emoção expressa pela voz na expressão facial (tarefa 2). Como esperado, os participantes identificaram mais rápida e corretamente a emoção alegria, seguida da dor, em ambas as tarefas. Na segunda tarefa houve um número inferior de acertos, principalmente na identificação da tristeza, e maiores enviesamentos para a identificação de dor nas expressões vocais. Os resultados nesta tarefa diferiram ainda em função da exaustão emocional percebida: os médicos com maior exaustão emocional foram mais rápidos e apresentaram maior número de acertos. No geral, os resultados sugerem uma elevada sensibilidade dos médicos para a identificação de dor na face e na voz e destaca a importância da exaustão emocional no reconhecimento de expressões vocais em faces.<hr/>This study examined the emotion recognition of pain, sadness, and happiness in the face and voice by General Practice Doctors, as a fuction of their perceived emotional exhaustion. The sample consisted of 72 physicians, and the study carried out in two stages. In the first stage, several questionnaires applied, including the Maslach Burnout Inventory to assess participant’s emotional exhaustion. One week later, two tasks were presented: a facial emotion recognition (task 1) and a vocal emotion recognition in facial expressions (task 2). As expected, participants were faster and displayed a high recognition accuracy for happiness, followed by pain, in both tasks. In task 2, there was a lower accuracy, specially in the recognition of sadness, and a higher bias in the recognition of vocal pain expressions. The results from this second task were dependent on emotional exhaustion: physicians with higher emotional exhaustion were faster and showed high recognition accuracy. Overall, the results sugested a high sensitivity of physicians for the recognition of pain in both facial and vocal expression, and highlighted the important role of emotional exhaustion in the emotion recognition of vocal expressions in faces.