Scielo RSS <![CDATA[Nascer e Crescer]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=0872-075420190004&lang=en vol. 28 num. 4 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Pediatric cardiology in the 21st century</b>: <b>advances and challenges</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Time to diagnosis of pediatric oncologic disease</b>: <b>ten-year experience from a level II Hospital</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Objectives: Despite rare, childhood cancer is a major cause of child morbidity and mortality. Reducing time to diagnosis and engaging health professionals in early treatment are key when dealing with pediatric cancer. In this study, time to diagnosis and its determinants were assessed. Methods: A descriptive and observational study in the Pediatric Department of a Level II hospital was conducted using clinical records of children diagnosed with cancer between 2007 and 2016. Using Mann-Whitney’s test, Kruskal-Wallis’ test, and Spearman’s correlation test, differences in time to diagnosis across subgroups of children according to age, gender, parental age, type of first medical visit, and diagnosis were assessed. Results: One hundred and five pediatric tumor cases were included in the analysis: 48 (46%) brain and central nervous system tumors, 32 (30%) hematological tumors, and 25 (24%) solid tumors. In the hematological subgroup, older age was associated with longer time to medical services demand (r=0.38, p=0.04) and children initially observed in primary health care exhibited longer time to diagnosis compared with children initially observed in Pediatric emergency services (median 1.9 vs 0 weeks, p=0.01). The median number of medical visits before the definitive diagnosis was one (min=0, max=7). Conclusions: Differences found in time to diagnosis between different types of medical services disclose the need for improving diagnosis in the primary care setting. A high index of suspicion is mandatory, especially among adolescents, as this is a subgroup typically associated with longer times to diagnosis.<hr/>Introdução: Apesar de a doença oncológica ser rara em Pediatria, é uma das principais causas de morbimortalidade. Reduzir o tempo até ao diagóstico e permitir o início precoce da terapêutica são questões prioritárias. O objetivo deste estudo consistiu em avaliar o tempo até ao diagnóstico e possíveis fatores associados. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo e observacional baseado na recolha de dados retrospetivos de registos clínicos referentes a casos de neoplasia diagnosticados entre 2007 e 2016 no Serviço de Pediatria de um hospital de Nível II. Foram utilizados os testes de Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, e o teste de correlação de Spearman para avaliar a existência de diferenças no tempo até ao diagnóstico entre subgrupos de crianças definidos em função do diagnóstico, idade, sexo, idade dos pais e local da primeira observação médica. Resultados: Foram incluídas 105 observações: 48 (46%) relativas a tumores do sistema nervoso central, 32 (30%) a tumores hematológicos e 25 (24%) a tumores sólidos. No grupo de tumores hematológicos, crianças mais velhas demoraram mais tempo a procurar serviços médicos (r=0.38, p=0.04) e crianças inicialmente observadas nos cuidados de saúde primários foram diagnosticadas mais tarde comparativamente às crianças inicialmente observadas em serviços de urgência pediátrica (mediana 1,9 vs 0 semanas, p=0,01). A mediana do número de observações médicas prévias ao diagnóstico foi de 1 (min=0; max=7). Conclusões: As discrepâncias identificadas no tempo até ao diagnóstico entre diferentes tipos de serviços médicos revelam uma oportunidade de melhoria ao nível dos cuidados de saúde primários. Deve manter-se um elevado grau de suspeita clínica, especialmente em adolescentes, que tipicamente apresentam um tempo mais longo até ao diagnóstico. <![CDATA[<b>The groningen protocol for neonatal euthanasia - our perspective</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Introduction: The Netherlands has pioneered the implementation of recommendations and laws regulating voluntary active euthanasia. Since 2002 it has allowed active euthanasia in children aged 12 and over. The Groningen Protocol, established in 2005, introduced the possibility of ending the life of newborns who fulfill certain specific criteria. It was drafted by Verhagen and Sauer at the University Medical Centre in Groningen and was granted authorization for national implementation from the Dutch Association of Pediatric Care. Methods: A literature search was conducted to analyze the Groningen Protocol and arguments supporting and opposing it. Results: Seemingly competing tenets of principalism - respect for autonomy, beneficence, nonmaleficence, and justice - are invoked as core arguments both for and against the protocol. The scale hangs in the sense of opposition to the protocol, essentially because of the weight of some of the arguments presented. Conclusion: From our perspective, the Groningen Protocol seems to have been built primarily to allow deliberately ending the life of a newborn baby without fear of criminal prosecution. In addition, included criteria are prone to subjectivity and may lead to abuse. The protocol’s proposal to regulate a very rare practice such as the anticipation of death in a seriously ill newborn promotes acceptance of active euthanasia for those who are most vulnerable and cannot express their own will.<hr/>Introdução: A Holanda tem sido pioneira na implementação de recomendações e leis que regulamentam a eutanásia ativa voluntária. Desde 2002 que permite a eutanásia ativa em crianças com idade igual ou superior a 12 anos. O Protocolo de Groningen, criado em 2005, introduziu a possibilidade de terminar a vida de recém-nascidos que preencham determinados critérios específicos. Foi criado por Verhagen e Sauer na University Medical Centre de Groningen e recebeu autorização para implementação nacional por parte da Dutch Association of Paediatric Care. Métodos: Foi efetuada uma pesquisa de literatura e subsequente análise dos argumentos a favor e contra o Protocolo de Groningen. Resultados: Os princípios da bioética − respeito pela autonomia, beneficência, não maleficência e justiça - são invocados como argumentos principais, tanto na defesa como na oposição ao protocolo. A balança pende no sentido da oposição ao protocolo, essencialmente pelo peso dos argumentos apresentados. Conclusão: O Protocolo de Groningen parece ter sido essencialmente elaborado para permitir terminar de forma deliberada a vida de um recém-nascido sem receio de acusação criminal. Além disso, os critérios para a sua ativação incluem alguma subjetividade e podem levar a uso abusivo. A proposta do protocolo de regulamentar uma prática muito rara como é a antecipação da morte num recém-nascido gravemente doente promove a aceitação da eutanásia ativa naqueles que são mais vulneráveis e incapazes de manifestar a sua vontade. <![CDATA[<b>Fever and clinical thermometry</b>: <b>what do physicians and nurses really know?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Introduction: Fever is a leading cause of Pediatric visits. However, most studies used as reference for fever assessment had a cross-sectional design and were conducted in adults. Different and more precise fever definitions exist within the field of knowledge known as clinical thermometry. Aims: To assess basic knowledge of health professionals working in Pediatrics regarding fever physiopathology and clinical thermometry. Material and Methods: A cross-sectional analytical study was performed between February and July 2014 through application of an anonymous closed-end questionnaire to health professionals. Results: From 426 questionnaires applied, 29% were completed by nurses and 71% by physicians. Within the whole group, 89% did not know how human “normal temperature” was determined, 70% did not recognize the “individual definitions” of fever, 33% acknowledged a “subfebrile” status, 39% did not recognize the most and least accurate anatomical sites for temperature measurement, and 57% did not recognize the dynamic difference between core and peripheral temperatures. Hyperthermia and fever definitions were confounded by 78% of nurses and 56% of physicians. Conclusions: Most health professionals surveyed had a limited knowledge of fever and clinical thermometry. The traditional oversimplification of this subject can lead to underestimation of true febrile statuses.<hr/>Introdução: A febre é uma das principais causas de consulta pediátrica. Contudo, a maioria dos estudos utilizados como referência para avaliação da febre tiveram um desenho transversal e avaliaram populações adultas. Existem outras definições de febre, mais precisas, que se enquadram numa área de estudo designada por termometria clínica. Objetivos: Avaliar os conhecimentos básicos dos profissionais de saúde atuantes na área da Pediatria sobre fisiologia da febre e termometria clínica. Material e Métodos: Estudo analítico, transversal, conduzido entre fevereiro e julho de 2014, efetuado por aplicação de um questionário anonimizado, com perguntas fechadas, a profissionais de saúde. Resultados: De um total de 426 questionários, 29% foram preenchidos por enfermeiros e 71% por médicos. Considerando o grupo total, 89% desconhecia como a “temperatura normal” em humanos tinha sido determinada, 70% não reconhecia as “definições individuais” de febre, 33% acreditava no estado “subfebril”, 39% não reconhecia os locais anatómicos mais e menos precisos para a medição da temperatura e 57% não reconhecia a diferença dinâmica entre as temperaturas periférica e central. As definições de febre e hipertermia foram confundidas por 78% dos enfermeiros e 56% dos médicos. Conclusões: A maioria dos profissionais de saúde que responderam ao questionário evidenciou conhecimentos limitados sobre febre e termometria clínica. A tradicional simplificação do tema pode contribuir para a subestimativa de verdadeiros estados febris. <![CDATA[<b>Definition and characterization of musculoskeletal pain and associated diseases</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Musculoskeletal pain is a frequent reason for seeking health care at any age, including pediatric. Semiological accuracy, with a careful anamnesis plus a systematic and detailed physical examination, is mandatory. Only the use of an accurate and standardized language will allow correct communication so as not to incur ambiguities of definition and interpretation and consequent omissions or overvaluations of clinical manifestations, culminating in diagnostic errors. This manuscript intends to gather and define the multiple concepts of musculoskeletal pain with the aim of standardizing and clarifying medical terminology. Taking into account general concepts, time progression, and location of musculoskeletal pain, the authors gathered 85 concepts, mostly of painful manifestations, that are described in a succinct and practical way.<hr/>A dor musculoesquelética é um motivo frequente de procura de cuidados de saúde em qualquer idade, incluindo a pediátrica. O rigor semiológico, com uma anamnese cuidada e um exame objetivo sistemático e pormenorizado, é obrigatório. Somente a utilização de uma linguagem rigorosa e padronizada permitirá a comunicação correta, evitando incorrer em ambiguidades de definição e interpretação e em consequentes omissões ou sobrevalorização de manifestações clínicas, culminando em erros de diagnóstico. O presente artigo compila e define os múltiplos conceitos de dor musculoesquelética, com o objetivo de uniformizar e clarificar a linguagem médica. Considerando conceitos gerais, a evolução temporal e a localização da dor musculoesquelética, os autores reúnem 85 conceitos, maioritariamente de manifestações dolorosas, e descrevem-nos de forma sucinta e prática. <![CDATA[<b>Case of swyer-james-macleod syndrome diagnosed in adolescence</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Swyer-James-MacLeod syndrome, or unilateral hyperlucent lung syndrome, is a rare entity associated with post-infectious bronchiolitis. Clinical presentation may include recurrent chest infections or exertional dyspnea, or it may result from an incidental finding following chest X-ray. Treatment is usually individualized and ranges from conservative management to surgical intervention. Here in is described the case of a 17-year-old boy with a history of asthma and allergic rhinitis, who was diagnosed with Swyer-JamesMacLeod syndrome in the context of a respiratory infection and careful chest x-ray examination. This case highlights the importance of raising awareness and accurately recognizing this rare entity, in order to optimally manage patients and avoid unnecessary treatment.<hr/>A Síndrome de Swyer-James-MacLeod, ou pulmão hiperlucente unilateral, é uma entidade rara associada a bronquiolite pós-infeciosa. Pode manifestar-se através de infeção recorrente ou dispneia de esforço, ou constituir um achado acidental após radiografia torácica. A sua abordagem terapêutica é individualizada, variando entre tratamento conservador e abordagem cirúrgica. Os autores descrevem o caso de um adolescente de 17 anos com antecedentes de asma e rinite alérgica, a quem foi diagnosticada síndrome de Swyer-James-MacLeod no contexto de uma infeção respiratória após análise detalhada de raio-X torácico. Este caso evidencia a raridade desta patologia e a importância de a reconhecer precocemente, abordando-a de uma forma ótima e evitando tratamentos desnecessários. <![CDATA[<b>Physical exercise and leg pain - what is the relationship?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Shin splint, also known as tibial stress syndrome, results from an underlying stress reaction of the tibia caused by overuse. The patient typically refers a diffuse pain along the anteromedial side of the tibia, which is worse in late afternoon and associated with over-exercising days. Diagnosis is confirmed by a prototypical history and physical examination findings. Radiological evaluation assists in differential diagnosis. Treatment consists of adequately resting or changing training routines, together with analgesic drugs. Herein is presented the case of an adolescent referred to our Pediatric Rheumatology Unit with diffuse pain in the right pretibial region due to intensive exercise. Laboratory study and imaging exams were unremarkable. Clinical improvement following reduced exercise intensity supported diagnosis.<hr/>A síndrome “shin splint”, também designada por síndrome de stress tibial, resulta de uma lesão de stress sobre a tíbia secundária ao seu uso excessivo. Tipicamente, o doente queixa-se de uma dor difusa ao longo da face anteromedial da tíbia, de predomínio vespertino, agravada nos dias de atividade física intensa. O diagnóstico é confirmado por história clínica típica e por achados ao exame físico. Os exames radiológicos auxiliam o diagnóstico diferencial. O tratamento inclui repouso ou alteração do plano de treino, assim como analgesia. É apresentado o caso de uma adolescente referenciada à Unidade de Reumatologia Pediátrica por dor difusa na região pré-tibial direita relacionada com exercício excessivo. Os estudos analítico e radiológico não revelaram alterações. A melhoria clínica coincidente com a redução da intensidade do exercício físico sustentou o diagnóstico. <![CDATA[<b>Van Neck-Odelberg disease</b>: <b>a rare cause of childhood limping</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Introduction: Joint pain and limping are common in pediatric age. Assessment of a child with joint pain requires differentiating benign conditions from those requiring urgent medical attention. Case report: A previously healthy nine-year-old boy was brought to the Emergency Department with fever and pain in the left ankle and hip associated with limping. He reported fever, abdominal pain, and slightly dry cough two weeks before admission. Blood analysis revealed an elevation in erythrocyte sedimentation rate and C-reactive protein serum concentration. Serology tests were positive for Mycoplasma pneumoniae acute infection and imaging studies enabled the diagnosis of Van Neck-Odelberg disease (VND). Discussion/Conclusion: Presence of joint pain often represents a diagnostic challenge, especially in children who present with fever and elevation of acute-phase reactants. VND is a rare cause of limping and in this case corresponded to an imaging finding. The final diagnosis was reactive arthritis secondary to M. pneumoniae infection.<hr/>Introdução: A dor articular é uma queixa comum em idade pediátrica. A sua investigação é fundamental para distinguir situações benignas daquelas que necessitam de intervenção médica urgente. Caso Clínico: Uma criança de nove anos, previamente saudável, foi conduzida ao Serviço de Urgência devido a um quadro de febre e dor no tornozelo e anca esquerdos associado a claudicação. A criança referiu febre, dor abdominal e tosse seca duas semanas antes da hospitalização. O estudo analítico demonstrou elevação da velocidade de sedimentação eritrocitária e da proteína C-reactiva. O estudo serológico foi positivo para infeção aguda por Mycoplasma pneumoniae e o estudo imagiológico possibilitou o diagnóstico de doença de Van Neck-Odelberg (VND). Discussão/Conclusão: A presença de dor articular geralmente representa um desafio diagnóstico, especialmente em crianças que se apresentam com febre e elevação de reagentes de fase aguda. A VND é uma causa rara de claudicação e neste caso correspondeu a um achado imagiológico. Foi estabelecido o diagnóstico final de artrite reativa secundária a infeção por M. pneumoniae. <![CDATA[<b>Bilateral transphyseal fractures</b>: <b>is there more than we can see?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542019000400009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Introduction: Claudication is a common complaint in children, and diagnosis of underlying etiologies is challenging. In toddlers, the most likely causes of gait alterations can be divided into five groups: inflammatory/infectious; neurologic; developmental/congenital; neoplastic; and post-traumatic. Case report: Here in is reported the case of a three-year-old boy with claudication diagnosed with bilateral proximal femoral transphyseal fractures by plain radiograph and magnetic resonance imaging. Conclusion: When a non-ambulatory child presents with femur fractures, clinical history should address specific questions to determine whether the explanation put forth can reasonably explain the injury. Prompt diagnosis is key for early treatment and prevention of potential complications.<hr/>Introdução: A claudicação é uma queixa frequente em crianças e o diagnóstico das etiologias associadas é desafiante. Em crianças pequenas, as causas mais prováveis de alterações da marcha podem ser divididas em cinco grupos: inflamatórias/infecciosas; neurológicas; desenvolvimentais/congénitas; neoplásicas; e pós-traumáticas. Caso clínico: É descrito o caso de um menino de três anos com claudicação, diagnosticado com fratura bilateral das fises femorais proximais através de radiografia e ressonância magnética. Conclusão: Quando uma criança que ainda não anda se apresenta com uma fratura do fémur, deve ser detalhada a história clínica e procurar responder a questões que determinem se o mecanismo descrito poderá justificar tal lesão. O diagnóstico célere é fundamental, de forma a permitir o tratamento precoce e prevenção de potenciais complicações.