Scielo RSS <![CDATA[Revista Portuguesa de Imunoalergologia]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=0871-972120200001&lang=pt vol. 28 num. 1 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Balanço do mandato SPAIC 2017-2019</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-97212020000100001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<b>Análise de um modelo preditivo para o diagnóstico de alergia a fármacos baseado na história clínica</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-97212020000100002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Fundamentos: As reações alérgicas a fármacos constituem um importante problema de saúde pública associado a uma morbilidade e mortalidade significativas. Sendo o estudo alergológico nestas situações consumidor de tempo e recursos consideráveis, um modelo preditivo que permitisse, com base nos dados clínicos, avaliar o risco de diagnóstico positivo de uma forma objetiva, poderia simplificar este estudo. Objetivo: Testar o modelo preditivo construído por Hierro Santorino em doentes seguidos no nosso Serviço de Imunoalergologia por suspeita de alergia medicamentosa e verificar o seu desempenho nesta população. Métodos: Foram avaliados os processos clínicos dos doentes que recorreram à consulta de Imunoalergologia por suspeita de alergia medicamentosa com estudo alergológico concluído entre janeiro de 2017 e junho de 2018. Foram registados os dados identificados como fatores preditivos no referido modelo, assim como o resultado do estudo alergológico. Foi aplicado o algoritmo proposto por Hierro Santorino a esta população e verificado o seu desempenho. Resultados: Foram analisados 159 casos correspondendo a 143 doentes, 54 (37,8%) do sexo feminino e com uma média de idade 42,1 ± 25,4 anos. Em 108 casos havia apenas um fármaco suspeito. Em 39% dos casos, os antibióticos betalactâmicos foram os fármacos suspeitos, em 31% os antinflamatórios não esteroides (AINEs) e em 29,6% foram suspeitos fármacos de outras classes. Em 18,2% dos casos foi feito o diagnóstico de alergia, em 15,7% de intolerância a AINEs, em 5% de intolerância a inibidores da enzima conversora da angiotensina e em 54,1% dos casos foi excluída alergia. Quando foi aplicado o modelo em estudo a probabilidade média de diagnóstico positivo calculada para o grupo dos alérgicos foi de 73,3% (28,6% a 91,7%) e de 68,7% (8,4 a 96,4%) para o grupo dos não alérgicos, não se encontrando um limiar com bom poder discriminativo entre as duas situações (curva ROC). Conclusões: O modelo testado revelou um mau desempenho nesta população, sugerindo que os modelos preditivos necessitam de aperfeiçoamento para virem a ser uma ferramenta útil no estudo alergológico das reações a fármacos.<hr/>Background: Allergic drug reactions represent an important public health problem associated with a significant mortality and morbidity. The allergy workup in this situation is expensive and time consuming. A predictive model using medical history would allow us to assess the risk of a positive result and might simplify the diagnostic process. Aims: To assess the performance of the Hierro Santorino predictive model in patients from our Immunoallergology department investigated for drug allergy. Methods: We included in our study patients referred to our department for drug allergy whose investigation was concluded between January 2017 and June 2018. We collected clinical data identified as the predictive factors in the mentioned model, as well as the results from the allergy work up. The Hierro Santorino model was then applied to our population and its performance was evaluated. Results: We analyzed 159 cases corresponding to 143 patients, 54 (37.8%) females, mean age of 42.1 ± 25.4 years. In 108 cases there was only 1 drug involved. In 39% of the cases a beta-lactam was the suspected drug, in 31% a nonsteroidal anti-inflammatory drug (NSAID) and in 29.6% other drug classes were suspected. In 18.2% of the cases the final diagnosis was positive for drug allergy, in 15.7% “NSAID intolerance” was established, 5% of the patients had “angiotensin-converting-enzyme inhibitor intolerance” and in 54.1% drug allergy was excluded. As the model under study was applied the mean probability of drug allergy was 73.3% (26.6% to 91.7%) in the allergic group and 68.7% (8.4% to 96.4%) in the non-allergic group. There was no cut-off value with capacity to discriminate between the outcomes. Conclusions: The model tested in our population revealed a poor performance suggesting that predictive models still need improving to be used as a tool in the allergy workup. <![CDATA[<b>Aerobiologia do pólen de Cupressáceas em Portugal</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-97212020000100003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: O tipo polínico Cupressaceae tem interesse aerobiológico e clinico, sendo reconhecida a alergia a este tipo polínico, considerado responsável pelas alergias de inverno, principalmente nos países mediterrânicos. Objetivo: Analisar a prevalência e o comportamento aerobiólogico do pólen de Cupressáceas (tipo polínico Cupressaceae) em Portugal. Material e métodos: Para o estudo utilizaram-se os dados da Rede Portuguesa de Aerobiologia (RPA) da SPAIC relativos ao tipo polínico Cupressaceae e os dados dos parâmetros meteorológicos de 2002 a 2017 dos 9 centros de monitorização (continente e ilhas). Analisou-se a relação dos fatores meteorológicos sobre os níveis atmosféricos de pólen de Cupressáceas por correlação de Spearman’s. Resultados: O tipo polínico Cupressaceae é um dos mais abundantes na atmosfera das cidades portuguesas, com uma representação no total do espetro polínico que variou entre 5 % (Portimão) e 24 % (Coimbra e Vila Real). Este tipo polínico registou-se no ar durante praticamente todo o ano. Porém, em termos médios, apresentou uma estação de polinização de duração média em geral com início em dezembro/janeiro e término em março/abril diferente consoante a localidade/região e o ano. Os níveis mais elevados deste pólen observaram-se em Vila Real, Évora e Coimbra. Verificou-se uma significativa influência das variáveis meteorológicas sobre as contagens deste pólen, muito em particular da temperatura, seguida da radiação global e insolação. Conclusão: Dada a predominância deste pólen no ar durante um longo período de tempo e o seu potencial alergénico, é útil e relevante a divulgação da informação deste estudo, a fim de se poder correlacionar com eventuais sensibilizações e sintomatologia de polinose. Importa salientar que, em Portugal, os níveis mais elevados deste pólen atmosférico se registam no inverno e início de primavera e que a alergia a este tipo de pólen terá certamente maior frequência neste período.<hr/>Introduction: Cupressaceae pollen type is considered a cause of pollen allergy in winter, throughout the world, mainly in the Mediterranean countries. Objective: To analyze the prevalence and aerobiological behavior of Cupressaceae pollen (Cupressaceae pollen type) in Portugal. Material and methods: This study used Cupressaceae pollen data of the Portuguese Aerobiology Network (RPA-SPAIC) and meteorological data, from 2002 to 2017, of 9 monitoring centers (mainland and islands). The influence of meteorological factors on Cupressaceae airborne pollen concentrations was analyzed by Spearman’s correlation. Results: Cupressaceae pollen type is one of the most abundant pollen types in the atmosphere of Portuguese cities with a representation in the pollen spectrum ranging from 5% (Portimão) to 24% (Coimbra and Vila Real). This pollen type was recorded during all year but, in average terms, Cupressaceae pollen season was of medium duration: in general began in December/January and ended in March/April, depending on the region and the year. The highest pollen levels were observed in Vila Real, Évora and Coimbra. It was observed a clear influence of the meteorological variables on the Cupressaceae pollen counts, in particular of the temperature followed by global radiation and sunshine. Conclusion: Given the predominance of this pollen in the air over a long period of time and its allergenic potential, the dissemination of the information from this study is useful and relevant in order to correlate with possible sensitization and symptomatology of pollinosis. It should be noted that in Portugal, the highest levels of airborne Cupressacea pollen occur in winter and early spring and that allergy to this pollen type will certainly be more frequent during this period. <![CDATA[<b>Abordagem diagnóstica e terapêutica das mastocitoses - Uma proposta de orientação clínica</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-97212020000100004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt As mastocitoses são um grupo de doenças raras e clonais dos mastócitos. No passado, a sua abordagem passou pela evicção de todos os fármacos, meios de contraste, alimentos e procedimentos descritos como ativadores dos mastócitos. Atualmente, existem diversos documentos orientadores a nível internacional que contrariam esta abordagem, sendo que em Portugal não existem ainda normas de orientação clínica. Esta proposta pretende fornecer linhas orientadoras para a abordagem clínica das mastocitoses. O diagnóstico deve ser baseado na biópsia cutânea (quando existe envolvimento cutâneo) e no estudo da medula óssea. Todos os doentes devem ser portadores de documentação sobre fatores descadeadores a evitar. O tratamento deve ser individualizado, podendo incluir cromoglicato de sódio, anti-histamínicos H1 e/ou H2, entre outros. Devem ser fornecidos aos doentes esquemas de pré-medicação a realizar antes de procedimentos cirúrgicos, parto e utilização de meios de contraste iodados.<hr/>Mastocytosis are a heterogeneous group of rare clonal mast cell diseases. In the past, mastocytosis management included a strict avoidance of all drugs, contrast media, foods and procedures ever described as mast cell activators. In the present, several international guidelines have emerged, proposing a more tailored approach, however in Portugal there are no current clinical guidelines. This proposal for management of mastocytosis intends to offer guidelines to the Portuguese clinician. Diagnosis should be based on a skin biopsy (when there are skin lesions) and on bone marrow examination. All patients should have documentation on their disease and triggers that should be avoided. Treatment should be personalized and may include cromolyn sodium, H1 and/or H2 antihistamines, among others. Patients should be given premedication protocols to be implemented before surgical procedures, labour and use of iodinated contrast media. <![CDATA[<b>Caso clínico</b>: <b>Hipersensibilidade tardia à budesonida inalada</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-97212020000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Introdução: A budesonida é um glucocorticoide usado no tratamento de várias patologias, como asma e rinite. As reações de hipersensibilidade à budesonida são pouco frequentes e na sua maioria são reações tardias. Casoclínico: Doente do sexo feminino, 59 anos, iniciou terapêutica inalatória com budesonida 160mcg+formoterol 4,5mcg em contexto de quadro de tosse e pieira recorrente com 6 meses de evolução. Uma semana após o início deste tratamento, apresentou dispneia e ardor orofaríngeo de agravamento progressivo seguido de edema da úvula. Posteriormente, foi encaminhada para a consulta de imunoalergologia. Do estudo realizado, salientam-se testes epicutâneos com a bateria standard do Grupo Português de Dermatites de Contacto positivos para a budesonida (0,1%) e com produtos da doente, apenas positivos para a associação budesonida 160mcg+formoterol 4,5mcg, ambos às 96h. Discussão/Conclusão: Foi, assim, estabelecido o diagnóstico de reação de hipersensibilidade tardia à budesonida inalada, tendo os testes epicutâneos confirmado hipersensibilidade tipo IV.<hr/>Background: Budesonide is a glucocorticoid used in the treatment of various pathologies such as asthma and rhinitis. Hypersensitivity reactions to budesonide are uncommon and are mostly late reactions. Clinical case: Female patient, 59 years old, started inhaled therapy with budesonide 160mcg + formoterol 4.5mcg in a context of recurrent cough and wheezing with 6 months of evolution. A week after the onset of this treatment, the patient presented with bronchospasm, oropharyngeal burning of progressive aggravation followed by edema of the uvula. Later, she was referred for immunoallergology consultation. From the allergology study, epicutaneous tests with the standard Portuguese Group of Contact Dermatitis were positive for budesonide (0.1%) and tests with patient’s products were positive for budesonide 160mcg + formoterol 4.5mcg, both at 96h. Discussion/Conclusion: The diagnosis of delayed hypersensitivity reaction to inhaled budesonide was established and epicutaneous tests confirmed type IV hypersensitivity.