Scielo RSS <![CDATA[Análise Psicológica]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=0870-823120140004&lang=en vol. 32 num. 4 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Counterfactual thinking</b>: <b>Study of the focus effect of scenarios and blame ascriptions to victim and perpetrator</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400001&lng=en&nrm=iso&tlng=en In two different studies we examined the focus effect of a scenario (i.e., the fact that a given character is the protagonist of a story) on two interconnected domains: the generation of counterfactual thoughts and the ascription of blame. It was hypothesised that being the focal agent of a story would not only lead to more counterfactuals centred on him or her, but also to greater ascriptions of blame as it would be easier to imagine how that actor could have behaved differently had he chosen or wanted to, and thus avoided a deleterious outcome. Different negatively-valenced scenarios depicting a certain misfortune such as a mugging were created in which victim, perpetrator or both characters, were the centre of the story. Results showed that placing either victim or perpetrator as the protagonist of a scenario increases the number of counterfactual thoughts centred on that character, but does not necessarily increase the blame attributed to him or her as the perpetrator was always ascribed more blame than the victim, irrespective of who was the protagonist. Study 2’s findings replicate those of Study 1 even with a different experimental design, modified materials, and various counterbalancing measures, hence suggesting that being the protagonist enables one to easily consider counterfactual alternatives involving that actor, but does not prevent one from identifying who is rightfully to blame for a given misfortune. The results and their implications were interpreted according to different theoretical perspectives and possible future avenues of research are discussed.<hr/>Em dois estudos examinámos o efeito de foco de um cenário (i.e., o facto de uma dada personagem ser a protagonista da história) em dois domínios interligados: a geração de pensamentos contrafactuais e a atribuição de culpa. Foi hipotetizado que ser o agente focal de uma história não só levaria a mais contrafactuais centrados sobre esse agente, como também a maiores atribuições de culpa ao mesmo, uma vez que seria mais fácil imaginar como o actor poderia ter agido de outra forma se o tivesse escolhido ou desejado, e assim ter evitado um desfecho negativo. Foram criados diferentes cenários de valência negativa que descrevem um dado infortúnio tal como um assalto, nos quais vítima, agressor, ou ambas as personagens eram o centro da história. Os resultados mostraram que colocar tanto vítima como agressor como protagonista de um cenário aumenta o número de pensamentos contrafactuais centrados nessa personagem, mas tal não aumenta necessariamente a culpa atribuída visto que o agressor foi sempre mais culpado do que a vítima, independentemente de quem era o protagonista do cenário. Os resultados do Estudo 2 replicaram os do Estudo 1, mesmo com um diferente desenho experimental, materiais modificados e diversas medidas de contrabalanceamento, assim sugerindo que ser o protagonista leva à mais fácil consideração de alternativas contrafactuais envolvendo esse actor, mas isso não impede o observador de identificar quem é verdadeiramente culpado por um dado infortúnio. Os resultados e as suas implicações foram interpretados de acordo com diferentes perspectivas teóricas e são discutidas possíveis futuras vias de investigação. <![CDATA[<b>Os estilos educativos parentais e a regulação emocional</b>: <b>Estratégias de regulação e elaboração emocional das crianças em idade escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400002&lng=en&nrm=iso&tlng=en O fenómeno da regulação emocional tem-se revelado um tema de grande interesse ao nível da investigação científica pela importância que adquire na vida das pessoas e nas trajetórias de desenvolvimento adaptativo das crianças. O presente estudo investigou a relação que as dimensões de suporte emocional, rejeição e tentativa de controlo estabelecem com o grau de elaboração emocional das crianças tendo em conta os movimentos do mundo interno das crianças. Participaram na investigação 64 crianças, de ambos os sexos, dos 3º e 4º ano de escolaridade, do ensino público e particular e cooperativo. Verificou-se que níveis mais elevados de suporte parental estão associados a níveis elevados de elaboração emocional. A dimensão relativa à rejeição parental encontra-se associada a dificuldades ao nível da elaboração emocional confirmando a regulação emocional enquanto fenómeno relacional alicerçado na complexidade individual que decorre da importância que a qualidade das relações parentais se revestem.<hr/>The phenomenon of emotion regulation has proved to be a topic of great interest in scientific research by the importance that it has in people’s lives and in the trajectories of adaptive development in children. The present study represents an operationalization of the construct of emotional regulation, taking into account the movements of the inner world of children, seeking to understand the relationship that the dimensions of emotional support, denial and attempt to control establish with the degree of emotional development of children. In this study participated 64 children of both sexes, from 3rd and 4th grade of public and private and cooperative elementary schools. It was found, that higher levels of parental support are associated with higher levels of emotional development. Parental rejection is associated with difficulties in terms of emotional development confirming the emotional regulation as a relational phenomenon grounded in individual complexity due to the importance that the quality of parental relationships is covered. <![CDATA[<b>O domínio SRPB (Spirituality, Religiousness and Personal Beliefs) do WHOQOL</b>: <b>O estudo com grupos focais para validação da versão em Português europeu do WHOQOL-SRPB</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400003&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste estudo é apresentar a etapa qualitativa, recorrendo à metodologia de grupos focais, no desenvolvimento da versão em Português Europeu do WHOQOL-SRPB (Spirituality, Religiousness and Personal Beliefs). A amostra incluiu 90 participantes, distribuídos por 12 grupos focais: Profissionais da Saúde, doentes, cuidadores informais, Católicos, não crentes, crentes sem prática religiosa regular, Evangélicos, Adventistas do 7º Dia, Testemunhas de Jeová, Hindus e alunos de Mestrado. Os resultados validaram as dimensões propostas no módulo original desenvolvido pelo Grupo WHOQOL-SRPB. Os grupos focais consideraram ainda outras dimensões, entre as quais a relação com os outros e o estilo de vida que, atendendo à sua relevância, são passíveis de vir a constituir-se como novas facetas do módulo WHOQOL-SRPB em português europeu. Os resultados permitem-nos inferir acerca da transculturalidade do WHOQOL-SRPB, reforçando que as questões da espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais têm um papel preponderante na qualidade de vida.<hr/>The aim of this study was to present the qualitative phase, using the methodology of focus groups, in the development of European Portuguese version of the WHOQOL-SRPB (Spirituality, Religiousness and Personal Beliefs). The sample included 90 participants, distributed by 12 focus groups: health professionals, patients, informal caregivers, Catholics, nonbelievers, believers without regular religious practice, Evangelical, 7th Day Adventists, Jehovah’s Witnesses, Hindus, and Masters students. The results validate the dimensions proposed in the original module by the WHOQOL-SRPB Group. The focus groups also considered other dimensions, including the relationship with others and lifestyle, which in view of their importance, are likely to be included as new facets of the European Portuguese WHOQOL-SRPB. The results allow us to infer the transcultural features of WHOQOL-SRPB, strengthening that issues of spirituality, religion and personal beliefs have an important role in quality of life. <![CDATA[<b>Pais e mães protegem, acarinham e brincam de formas diferentes</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400004&lng=en&nrm=iso&tlng=en No presente artigo de revisão quisemos explorar os papéis maternos e paternos no estabelecimento da vinculação e na qualidade da interação entre pais (pais e mães) e filhos nos primeiros dois anos de vida. Vários estudos recorrendo à Situação Estranha indicam que a vinculação segura é mais frequente em díades mãe-filho do que em díades pai-filho, e que as mães em média são mais sensíveis do que os pais. No entanto, a diversidade de estudos, metodologias e resultados permitem-nos reinterpretar o papel paterno. Adicionalmente, as medidas de avaliação da sensibilidade foram, na maioria dos casos, aferidas em estudos da relação mãe-filho(a) e não sabemos se integram a diversidade de comportamentos da relação pai-filho(a). Importa compreender e discutir as diferenças da vinculação com a mãe e com o pai no quadro mais amplo das relações da família.<hr/>In this revision, we aim to explore the maternal and paternal roles in the establishment of attachment and in the quality of interaction between parents (mothers and fathers) and children in the first two years of their lives. Several studies using the Strange Situation indicate that secure attachment is more frequent in mother-child dyads than in parent-child dyads, and that mothers tend to be more sensitive than parents in free play interactions. However, a variety of studies, methods and results allow us reinterpret fathers performance. Additionally, most of the sensitivity measures were developed in studies with mother-child dyads. Therefore, one can wonder if the diversity of parents’ behavior and parent-child relationship are described in such scales. In order to understand and discuss maternal and paternal differences we need to take in consideration the broader context of family relationships. <![CDATA[<b>Funcionamento familiar e delinquência juvenil</b>: <b>A mediação do autocontrolo</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400005&lng=en&nrm=iso&tlng=en De acordo com a Teoria Geral do Crime as práticas parentais ineficazes são a principal causa do baixo autocontrolo e, por sua vez, o autocontrolo será o principal responsável pelo desenvolvimento de comportamentos delinquentes. No presente estudo temos como objetivo analisar empiricamente estas afirmações, ou seja, verificar a influência do funcionamento familiar no autocontrolo e seguidamente analisar se o autocontrolo é mediador na relação entre o funcionamento familiar e a delinquência juvenil. Neste estudo participaram 181 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos de idade e a frequentar escolas da área da Grande Lisboa. Os instrumentos utilizados foram os seguintes: escala de coesão e flexibilidade familiar (FACES IV), escala de autocontrolo e escala de variedade de delinquência. Os resultados demonstraram uma relação positiva entre o funcionamento familiar e o autocontrolo e uma relação negativa entre o autocontrolo e os comportamentos de delinquência. Por sua vez, o autocontrolo mediou totalmente a relação entre o funcionamento familiar e a delinquência dos jovens. As implicações deste estudo são discutidas.<hr/>According to the General Theory of Crime ineffective parenting practices are the major cause of low self-control, which, in turn, will be the main responsible of the development of delinquent behaviors. On the present research we aim to analyze these claims, in other words, we will test the influence of family functioning on self-control, and analyze the mediating role of self-control in the relationship between family functioning and juvenile delinquency. 181 adolescents participated in this study, aged between 12 and 19 years old and attending schools in the Great Lisbon area. The instruments were the following: Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale (FACES IV), the Self-Control Scale, and the Delinquency Variety Scale. The results showed a positive relationship between family functioning and self-control and a negative relationship between self-control and delinquent behaviors. Furthermore, self-control fully mediated the relationship between family functioning and juvenile delinquency. Implications of this study are discussed. <![CDATA[<b>Padrões de consumo de álcool em estudantes da Universidade de Aveiro</b>: <b>Relação com comportamentos de risco e stress</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400006&lng=en&nrm=iso&tlng=en O consumo excessivo de álcool em estudantes universitários tem sido foco de grandes preocupações, não só devido aos seus efeitos negativos na saúde, mas porque habitualmente leva a comportamentos de risco, como a condução sob o efeito de álcool, ou relações sexuais sem proteção. Outro aspeto muito verificado entre os estudantes universitários, e que parece estar associado ao consumo de álcool, são os elevados níveis de stress, provavelmente um dos motivos que leva ao consumo de álcool. Neste estudo, realizado a 760 estudantes da Universidade de Aveiro, verificámos que os participantes apresentam elevados consumos de álcool, sobretudo em festas académicas. Os comportamentos de risco associados não se mostram significativos. Verificámos igualmente que o maior consumo de álcool está associado ao sexo masculino. Também se constatou que os estudantes universitários que saem de casa dos pais/da sua residência apresentam maiores consumos de álcool. Relativamente à perceção de stress, verificámos que os estudantes universitários de Aveiro apresentam níveis moderados de stress e que estes se encontram negativamente correlacionados com os consumos de álcool. Os nossos resultados são discutidos à luz das teorias existentes sobre os padrões de consumo de álcool em estudantes universitários.<hr/>The excessive alcohol consumption in college students has been the focus of enormous concerns, not only because alcohol has negative effects on people’s health, but also because it frequently leads to risky behaviors, for instance, drinking and driving or having sexual relations without any protection. Another aspect that has been identified in college students, and seems to be associated with alcohol consumption, is stress, which is probably one of the reasons that encourage alcohol consumption. In the present study, which has been conducted with 760 students at the University of Aveiro, we found that students consume large quantities of alcohol, particularly in academic celebrations. However, the risky behaviors are not significant in our sample. We also found that higher levels of alcohol consumption are associated with male students and with students who are dislocated from their families’ house. As far as stress perception is concerned, our sample shows a medium level of stress. Students’ stress is negatively correlated with alcohol consumption. Our results are discussed in the light of the existing theories about alcohol consumption in college students. <![CDATA[<b>As relações entre pares de adolescentes socialmente retraídos</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000400007&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente estudo tem como objetivo caracterizar as relações sociais de adolescentes socialmente retraídos, quer com o seu grupo de pares, quer com os seus melhores amigos. Os dados foram recolhidos com base em 3 instrumentos: o Extended Class Play - que permite aceder às avaliações que os pares fazem do comportamento, funcionamento e reputação sociais dos colegas -, as Nomeações de Amizade - que permite identificar quem são os melhores amigos - e o Questionário da Qualidade da Amizade - destinado a aceder às perceções que os sujeitos têm de vários aspetos qualitativos da sua melhor amizade. No que diz respeito às relações sociais, os resultados permitiram verificar que os adolescentes socialmente retraídos foram descritos pelos pares como sendo significativamente mais isolados, excluídos e vitimizados, mas também mais pró-sociais do que os seus colegas. Por outro lado, não diferiam destes no número de amigos mútuos, nem na qualidade de amizade relatada, ainda que tendessem a ter amigos significativamente mais isolados e excluídos, tal como menos agressivos, do que os adolescentes do grupo de controlo. Os resultados estão de acordo com a literatura, refletindo as dificuldades sociais que os jovens socialmente retraídos enfrentam, assim como chamam a atenção para o possível efeito protetor que a participação em comum com os melhores amigos pode ter.<hr/>The present research aims to characterize the social relations of withdraw adolescents with their peer group and best friends. Data were collected based on three instruments: the Extended Class Play - which allows to capture the evaluations that peers make of the behavior, social functioning and social reputation of their colleagues -, the Friendship Nominations and the Friendship Quality Questionnaire - meant to access the perceptions that individuals have of various qualitative aspects of their best friendships. With regard to social relations, the results showed that socially withdrawn adolescents were described by their peers as being significantly more isolated, excluded and victimized, but also more prosocial than their colleagues. On the other hand, they did not differ in the number of mutual friends nor in the reported relationship’s quality, although they tended to have friends significantly more withdrawn and excluded, as well as less aggressive than the control group’s adolescents. The results are in agreement with the literature, reflecting on the social difficulties that withdrawn young people face, as well as the possible protective effect of a best friendship’s communion.