Scielo RSS <![CDATA[Análise Psicológica]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=0870-823120140003&lang=pt vol. 32 num. 3 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Contribuição da literacia emergente para o desempenho em leitura no final do 1.º CEB</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Aprender a ler e a escrever constituem desafios não só para as crianças, mas também para os agentes educativos que acompanham este processo. Identificar e promover as condições que facilitam um percurso de sucesso são preocupações centrais da comunidade escolar e científica. Este estudo procurou analisar em que medida as competências de literacia emergente, avaliadas na educação pré-escolar, predizem o desempenho em leitura e escrita no final do 1.º CEB. Participaram no estudo 117 alunos do concelho de Matosinhos que frequentavam o 4.º ano de escolaridade e que tinham sido previamente avaliados na educação pré-escolar. Foram realizadas análises de regressão múltipla que evidenciam que as competências de literacia emergente avaliadas explicam cerca de 20% da variância dos resultados no domínio da leitura e da escrita no final do 1.ºCEB. Estes resultados impelem a uma reflexão sobre a relevância da identificação precoce de crianças em risco de insucesso e de uma intervenção atempada nos primeiros anos de escolaridade.<hr/>The process of learning how to read and write is a challenge not only for the children but also for the educational agents that monitor this process. Identifying and promoting the conditions that lead to success in this field are the school and scientific community central concerns. In the present study, the goal was to verify the extent to which emerging literacy skills, assessed in kindergarten, predict performance in reading and writing at the end of elementary school. 117 students attending the 4th grade participated in this study and had been previously assessed in kindergarten. Multiple regression analyzes were performed, showing that the emergent literacy skills in kindergarten accounted for 20% of the variance in reading and writing at the end of elementary school. These results suggest a reflection towards the importance of children’s early identification of risk of failure and early intervention in the first school years. <![CDATA[<b>Experiência da gravidez em situação de seropositividade para o VIH</b>: <b>Revisão da literatura brasileira</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Gerar um filho no contexto da seropositividade para VIH/Sida pode ser uma experiência emocionalmente difícil para as mulheres. No presente estudo, realizou-se uma revisão da literatura brasileira da última década (2000-2010) sobre a temática da experiência da gravidez em situação de seropositividade para VIH no Brasil, tendo-se identificado 20 estudos. Mais especificamente, objetivou-se identificar aspectos relevantes para futuras investigações e intervenções psicológicas junto a essa clientela. Os resultados apontaram para experiências típicas do período gestacional, como contato afetivo com o bebê e preocupação com a sua saúde, assim como experiências particulares impostas pela seropositividade, como frustração diante da expectativa da não-amamentação e medo da transmissão vertical. O apoio social destacou-se como aspecto facilitador da adesão ao tratamento e do manejo da infecção. Os resultados encontrados permitem identificar aspectos relevantes para investigações futuras no Brasil e fornecem pistas para a intervenção psicológica junto à população seropositiva.<hr/>Conceive a child in a situation of a positive HIV/AIDS diagnosis may be emotionally hard to women. In the current study, it was conducted a review of the Brazilian literature of the last decade (2000-2010), and it were identified 20 studies on the topic of the experience of pregnancy in the context of HIV seropositivity. Specifically, it was aimed to identify relevant issues for future research and psychological interventions for this population. The results pointed to typical experiences of pregnancy, such as affective contact with baby and concerns about baby’s health, and to particular experiences imposed by seropositivity, like frustration at the prospect of not breastfeeding and fear of vertical transmission. Social support emerged as a facilitator aspect to manage the disease and to continue its treatment. These findings allowed identifying relevant aspects for future research in Brazil and provide indications for the psychological intervention with HIV-positive population. <![CDATA[<b>Modelos internos dinâmicos de vinculação</b>: <b>Uma metáfora conceptual?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt É inegável que, no contexto da investigação sobre as implicações desenvolvimentais das relações de vinculação, o conceito de Modelos Internos Dinâmicos (MID) tem vindo a assumir uma capacidade explicativa crescente e extensiva (ver Bretherton & Munholland, 2008; Thompson, 2008b). Todavia, apesar da centralidade dos MID na Teoria da vinculação, é de referir o “caos calmo” que parece existir na literatura ainda hoje, mais de 50 décadas de estudos depois, à volta da utilização desta metáfora conceptual que, embora apelativa, não corresponde ainda a um constructo teórico solidamente definido e empiricamente testável (ver Bretherton, 2005; Delius, Bovenschen, & Spangler, 2008; Thompson, 2008a). De forma a percebermos melhor o que poderá contribuir para este cenário de “caos calmo”, analisaremos, seguidamente, a evolução histórica do conceito, no âmbito da Teoria da vinculação, partindo das primeiras formulações de Bowlby e integrando contributos posteriores<hr/>It’s noticeable that, inside the research literature on the developmental implications of children’s attachment behavior, the Internal Working Models (IWM) concept has assumed a wide explicative capacity (see Bretherton & Munholland, 2008; Thompson, 2008b). Albeit the centrality of the IWM within the Attachment Theory’s framework, it’s generally recognized the “calm caos” that still exist around the use of this “user-friendly” conceptual metaphor, not yet considered a well-defined, empirical testable construct (see Bretherton, 2005; Delius, Bovenschen, & Spangler, 2008; Thompson, 2008a). Aiming to bring together at least part of this, in this paper we present a historical retrospective of the concept, starting with Bowlbys first ideas, and integrating later contributions. <![CDATA[<b>Qualidade da vinculação percebida por mães e crianças em idade escolar provenientes de diferentes tipos de família</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A literatura tem referido que as crianças de famílias nucleares apresentam uma vinculação mais segura comparativamente às de famílias monoparentais ou reconstituídas. Foram objetivos deste estudo investigar a qualidade da vinculação em crianças em idade escolar pertencentes a famílias nucleares, monoparentais e reconstituídas e observar a convergência entre perceção materna dos comportamentos de vinculação e representação da qualidade de vinculação das crianças. É um estudo transversal, com 168 crianças dos 8 aos 11 anos (M=9.17) e respetivas mães. O protocolo de investigação incluiu o Separation Anxiety Test (SAT) e a Escala de Perceção Materna do Comportamento de Vinculação da Criança (PCV-M). Os resultados mostram não haver convergência significativa entre a perceção materna dos comportamentos de vinculação e a representação da vinculação pela criança. Somente nas famílias monoparentais houve diferenças no comportamento base segura do PCV-M em função da representação da vinculação da criança (segura/insegura). Não se observou uma associação entre o tipo de família e a representação da vinculação da criança, nem diferenças na perceção materna dos comportamentos de vinculação entre os diferentes tipos de família. Em conclusão, a qualidade da vinculação das crianças não varia em função do tipo de família, mesmo se há uma baixa convergência entre as perspetivas de mães e filhos em relação à qualidade do comportamento de vinculação destes últimos.<hr/>The literature suggests that children from nuclear families tend to show a more secure attachment than children from single parent or step families. The goals of this study are as follows: investigate the quality of child’s attachment behaviour across nuclear, single parent and step families, evaluate the convergence between mother and their child’s perceptions on the quality of mother-child attachment behaviour. This is a cross-sectional study, whose sample consisted of 168 children 8-11 years-old (M=9.17) and their mothers. The research protocol included the Separation Anxiety Test (SAT) and the Maternal Perception Scale of Children’s Attachment Behaviour (PCV-M). Results show that there is no significant convergence between the maternal perception of their child’s attachment behaviour and the child’s attachment representation. Nonetheless, in single parent families significant differences were found in the PCV-M secure base behaviour dimension, depending on the representation of children´s attachment as secure or insecure. There were no association between type of family and children´s attachment representation neither differences in the maternal perception of attachment between the different types of family. In conclusion, the mother’s perception of their child’s attachment behaviour doesn’t vary across different types of families, even if there is a low degree of convergence between mothers and their offspring regarding the quality of children’s attachment behaviour <![CDATA[<b>Protótipos de vinculação amorosa</b>: <b>Bem-estar psicológico e psicopatologia em jovens de famílias intactas e divorciadas</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt De acordo com o modelo bidimensional de Bartholomew os indivíduos desenvolvem a sua identidade e constroem a perceção de si e dos outros, de acordo com as representações transmitidas pelas figuras significativas de afeto. Os protótipos de vinculação amorosa, associam-se ao desenvolvimento da saúde mental e bem-estar psicológico nos jovens. Numa amostra de 334 jovens entre os 13 e os 25 anos, pretende-se analisar em que medida os protótipos de vinculação diferem em função da idade, género, configuração familiar, bem-estar psicológico e psicopatologia. Foram encontradas diferenças significativas dos protótipos de vinculação face ao género e psicopatologia, contudo não foram observadas diferenças no que respeita à idade, configuração familiar e bem-estar psicológico. Os resultados serão discutidos à luz da teoria da vinculação tendo em conta as particularidades dos protótipos de vinculação de Bartolomeu, com o intuito de perceber o seu contributo no bem-estar psicológico e desenvolvimento de psicopatologia nos jovens.<hr/>According to Bartholomew model individuals develop their identity and build the perception of self and others, according representations submitted by the significant figures of affection. Romantic attachment prototypes have relation to mental health and psychological well-being in young. In a sample of 334 young between 13 and 25 years, this study aims to examine the extent of linkage prototypes differ according to age, gender, family configuration, psychological well-being and psychopathology. Significant differences were found on gender and psychopathology, but no differences were observed with regard to prototypes on age, family configuration and psychological well-being. The results will be discussed in the light of attachment theory taking account the particularities of Bartholomew prototypes, in order to realize their contribution to psychological well-being and development of psychopathology in young. <![CDATA[<b>O papel do ajustamento diádico na sintomatologia psicopatológica e qualidade de vida de doentes com perturbação psiquiátrica e dos parceiros saudáveis</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O objetivo do presente estudo consistiu em avaliar o ajustamento individual e conjugal de casais num contexto de perturbação psiquiátrica de um dos seus membros, explorando-se o papel dos indicadores de ajustamento diádico na sintomatologia psicopatológica e qualidade de vida do doente e do parceiro saudável. A amostra foi constituída por 108 casais, 54 casais onde um elemento tem uma perturbação diagnosticada (27 casais em que o doente identificado era a mulher e 27 casais em que o homem era o elemento doente) e 54 casais da população geral. O protocolo de avaliação incluiu o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI), o índice de qualidade de vida EUROHIS-QOL-8 e a Escala de Ajustamento Diádico - Revista (EAD-R). Os resultados mostraram que os casais dos grupos clínicos apresentaram valores mais baixos de qualidade de vida e mais elevados de sintomatologia depressiva e ansiosa, comparativamente aos casais da população geral. As mulheres cujo parceiro estava doente demonstraram um ajustamento individual semelhante ao apresentado pelas mulheres com perturbação psiquiátrica diagnosticada. O ajustamento diádico dos casais dos grupos clínicos também se revelou inferior ao dos casais da população geral. O ajustamento diádico apenas se associou significativamente ao ajustamento individual quer do próprio, quer do parceiro nos casais em que o homem era o doente. Os diferentes padrões de ajustamento parecem relacionar-se com as especificidades da população clínica, do sexo do elemento doente e da duração do quadro clínico. Os resultados observados enfatizam a importância de se assumir uma perspetiva diádica neste contexto, sendo discutidas as subsequentes implicações clínicas.<hr/>The purpose of this study was to assess the individual and marital adjustment of couples in the context of a psychiatric disorder of one of the spouses, exploring the role of dyadic adjustment on psychopathological symptoms and quality of life of the patient and his/her healthy partner. The total sample consisted of 108 couples: 54 couples in which one member was diagnosed with a mental disorder (27 where the identified patient was the woman and 27 where the man was the patient) and 54 couples of the general population. The assessment protocol included the Brief Symptom Inventory (BSI), the quality of life index EUROHIS-QOL-8 and the scale of Dyadic Adjustment Scale - Revised (DAS-R). The results showed that couples of the clinical groups presented lower levels of quality of life and higher levels of depressive and anxious symptoms compared to couples of the general population. The women whose partner was ill showed a similar individual adjustment to that presented by women with a psychiatric disorder. The dyadic adjustment of couples of the clinical groups was lower than that of their healthy counterparts. Dyadic adjustment was only significantly associated with a higher individual adjustment of the patient or the healthy partner in couples in which the man was the patient. The adaptation patterns seem to relate to the specificities of the clinical population, the sex of the ill partner and the duration of the clinical condition. The observed findings emphasize the importance to assume a dyadic perspective in this context, and the subsequent clinical implications will be discussed. <![CDATA[<b>Ethnic minorities’ and immigrants’ therapeutic (non)adherence</b>: <b>What is the role of social and cultural contexts?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Immigrants and ethnic minorities have been identified as vulnerable groups in health, in general, and in what concerns therapeutic non-adherence (TA) in particular; i.e., (not)following health-care providers’ therapeutic recommendations. The general aim of this paper is presenting a literature review of immigrants’/ethnic minorities’ TA determinants. We will start by highlighting the reasons as to why immigrants’/ethnic minorities’ therapeutic (non)adherence should be a topic of concern. Then, we will present a review of the main determinants of immigrants’/ethnic minorities’TA, at different levels of analysis (e.g., broad structural level; social and community networks; material and social conditions) and emphasize that non-adherence among immigrants/ethnic minorities is mostly non-intentional, seeing as how it is associated with issues such as: low socio-economic conditions, language barriers and cultural mismatches. Finally, we will highlight the role of health-care providers in tackling this health-related problem and reflect about the importance of promoting development and training of health-care providers’ multicultural abilities.<hr/>Os imigrantes e as minorias étnicas têm sido identificados como grupos vulneráveis na área da saúde, em geral, e no que diz respeito à (não)adesão terapêutica, em particular, i.e., (não)seguimento das recomendações dos profissionais de saúde. O objetivo geral deste artigo é o de apresentar uma revisão de literatura sobre os determinantes da (não)adesão terapêutica de imigrantes e minorias étnicas. Inicialmente, destacar-se-ão os motivos pelos quais a (não)adesão terapêutica de imigrantes/minorias étnicas poderá ser considerada como um tema relevante. Seguidamente, apresentar-se-á uma revisão sobre os principais determinantes da (não)adesão de imigrantes/minorias étnicas, em diferentes níveis de análise (e.g., estrutural; redes sociais e comunitárias; condições materiais e sociais) e destacar-se-á que a não-adesão entre os imigrantes/minorias étnicas é sobretudo não-intencional, por se encontrar associada a questões como: condições socioeconómicas desfavoráveis, barreiras linguísticas, desen contros culturais. Finalmente, salientar-se-á o papel dos profissionais de saúde na resolução deste problema relacionado com a saúde e reflectir-se-á sobre a importância de promover o desenvolvimento e a formação de competências multiculturais por estes profissionais.