Scielo RSS <![CDATA[Análise Psicológica]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=0870-823120120001&lang=en vol. 30 num. 1-2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt <![CDATA[<b>Nota de Abertura</b>: <b>Número de Homenagem a Carla Machado</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>A Psicologia da Justiça em Portugal</b>: <b>Uma viagem partilhada com Carla Machado</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este texto reflecte o envolvimento de Carla Machado em três áreas distintas de investigação dentro da Psicologia da Justiça em Portugal, correspondentes a diferentes etapas do seu percurso enquanto investigadora: a Psicologia do Comportamento Desviante, a Criminologia/Vitimologia e a Psicologia Forense. Deste modo, procura-se ilustrar o enorme contributo dado por esta investigadora em temas fundamentais relacionados com a insegurança e o medo do crime, a violência nas relações íntimas e a avaliação psicológica forense, entre outros.<hr/>This paper reflects the contributions of Carla Machado as a researcher in three different areas of Psychology and Law in Portugal: Psychology of Deviant Behaviour, Criminology/Victimology and Forensic Psychology. In this sense, attention is given to her seminal work in fundamental issues such as insecurity and fear of crime, intimate partnership violence and forensic psychological evaluation, among others. <![CDATA[<b>A Psicologia Forense em Portugal</b>: <b>novos rumos na consolidação da relação com o sistema de justiça</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo refletimos sobre os mais recentes desenvolvimentos da psicologia forense em Portugal, numa das mais importantes áreas de interface entre a psicologia e o sistema de justiça - a avaliação psicológica forense e o contributo da psicologia para a tomada de decisão judicial. Ao mesmo tempo que se faz um levantamento dos principais contributos do trabalho de Carla Machado para esta área, são apontados caminhos a percorrer na consolidação da relação entre a psicologia e o direito.<hr/>This article reflects on the latest developments of Forensic Psychology in Portugal, particularly in one of the most important areas of interface between psychology and the justice system - the forensic psychological assessment and the contribution of psychology to judicial decision making. While highlighting the major contributions of Carla Machado to the development of this area, we point out paths to achieve the consolidation of the relationship between psychology and law. <![CDATA[<b>Criminalidade feminina e construção do género</b>: <b>Emergência e consolidação das perspectivas feministas na Criminologia</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo, são analisadas as perspectivas feministas na criminologia, em particular, os discursos sobre criminalidade feminina e construção do género. Parte-se de uma visão ampla sobre feminismos e construção de conhecimento e apresenta-se uma revisão histórica da emergência e da consolidação das perspectivas feministas na criminologia. Discute-se em particular o argumento feminista de que a construção social do género pauta os percursos de vida das mulheres que transgridem, e se reflecte na resposta formal e informal a essas transgressões. São analisadas as principais críticas tecidas pelas autoras feministas ao que designam de ‘discursos tradicionais’ sobre mulher e crime e as propostas que apresentam de reconstrução desses discursos.<hr/>In this paper, we analyze the feminist perspectives in criminology, particularly, the discourses on women, crime and gender. It starts with a broad view of the feminist contributes to the construction of knowledge and then a historical review of the emergence and consolidation of feminist perspectives in criminology is presented. It discusses in particular the feminist argument that the social construction of gender has an impact on the life trajectories of women who commit crimes, and is reflected in the formal and informal response to such transgressions. Finally, it analyzes the main criticisms of feminist authors towards the traditional criminology discourses about women and crime as well as the feminist proposals for the reconstruction of such discourses. <![CDATA[<b>O ‘problema da droga’</b>: <b>Sua construção, desconstrução e reconstrução</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Representações negativas sobre a utilização de substâncias psicoactivas predominam desde há muito, em grande medida, pelo facto de esta prática continuar a ser analisada a partir de uma perspectiva problemática. Manifestações alternativas persistem, portanto, votadas a uma relativa ignorância, continuando a evitar-se o debate acerca das suas dimensões hedonísticas e dos padrões de consumo que são eficazmente conciliados com a vida convencional. Nos últimos anos tem-se assistido, todavia, a um aumento dos trabalhos académicos (sobretudo antropológicos e sociológicos) centrados em experiências que não se enquadram em padrões ‘problemáticos’ e que promovem um entendimento mais adequado sobre esta prática e os seus protagonistas. Tais trabalhos têm mostrado que, tal como foi construído como um problema, este fenómeno pode ser desconstruído e reconstruído em moldes alternativos, desafiando, assim, os discursos dominantes. É a este exercício de construção e desconstrução do ‘problema da droga’, assim como de reconstrução do fenómeno em moldes alternativos, que dedicamos o presente artigo.<hr/>Negative representations regarding the use of psychoactive substances have long been prevailing, because this practice continues to be analyzed from a problematic standpoint. Alternative forms of illicit drug use persist, therefore, doomed to relative ignorance. It continues to be avoided the debate about the hedonistic dimensions of illicit drug use and about the patterns of illicit drug use that are effectively conciliated with the ‘conventional’ life. However, in the last years there has been an increase of academic work (mainly anthropological and sociological) that focus on experiences of illicit drug use that do not fit in ‘problematic’ patterns and that provide a more proper understanding about this practice and about its protagonists. Such studies have shown that the use of illicit drugs, just as it was constructed as a problem, can be deconstructed and reconstructed in alternative ways, thus defying the dominant discourses. This exercise of constructing and deconstructing the ‘drug problem’, as well as reconstructing this phenomenon in alternative ways is the main purpose of the present article. <![CDATA[<b>Abuso sexual na infância e adolescência</b>: <b>Resiliência, competência e <i>coping</i></b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente trabalho reporta uma revisão crítica da literatura ao nível da resiliência no domínio do abuso sexual na infância e adolescência. Esta é uma área que tem sido pouco explorada, em certa medida, devido a problemas metodológicos e de conceptualização do constructo. Não obstante a diversidade e controvérsia de propostas conceptuais, é relativamente consensual que a resiliência não é sinónimo de invulnerabilidade mas que significa uma maior capacidade da criança/jovem para manter o curso desenvolvimental normativo face a uma situação de stress ou adversidade. Assim, no presente artigo é discutido o conceito de resiliência enquanto resultado desenvolvimental adaptativo na sequência de uma experiência adversa. Neste âmbito, são exploradas as principais linhas de investigação nas últimas décadas, e sistematizadas conclusões centrais neste domínio. Do mesmo modo, são ainda definidos desafios e direcções futuras em termos de investigação. As conclusões da presente revisão advertem para o papel interactivo e generativo da criança/jovem vítima e dos seus contextos de vida no percurso de mudança desenvolvimental. Neste sentido, a adaptação positiva não é uma tarefa individual da vítima mas de todos os intervenientes envolvidos, nomeadamente em termos de disponibilidade de condições e redes de suporte favoráveis a uma recuperação adaptativa.<hr/>This manuscript reports a critical review on resilience in the field of sexual abuse in childhood and adolescence. This is an area that has been little explored, to some extent, due to methodological problems and conceptualization of the construct. Despite the diversity and controversy of conceptual proposals, it is relatively consensual that resilience does not mean invulnerability, but it means a greater ability of the child/youth to maintain the normative developmental course in a situation of stress or adversity. In the present article it is discussed the concept of resilience as adaptive developmental outcome following an adverse experience. In this context, are explored the main lines of research in recent decades and systematized central conclusions in this area. Likewise, are still defined challenges and set future directions in research. The conclusions of this review warn for the role of interactive and generative child/youth victims and their life contexts on the course of developmental change. In this sense, the positive adaptation is not an individual task of the victim but of all those involved, particularly in terms of conditions and availability of support networks favorable to an adaptive recovery. <![CDATA[<b>Intervenção em grupo com vítimas de violência doméstica</b>: <b>Uma revisão da sua eficácia</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Após o reconhecimento social, a violência doméstica tem adquirido progressivamente uma expressão significativa nas estatísticas criminais no nosso país. Paralelamente, atendendo aos elevados custos que habitualmente estão associados a esta experiência (e.g., saúde física e psicológica), a actuação de profissionais especializados nesta área foi assumindo cada vez mais relevância, constituindo-se a mulher vítima como um dos principais alvos da intervenção. Nesse contexto, assistiu-se nos últimos anos ao desenvolvimento de diferentes modalidades psicoterapêuticas dirigidas a essa população, entre as quais a intervenção em grupo. O objectivo deste trabalho consiste, pois, em sistematizar o conhecimento actual sobre a eficácia da intervenção em grupo com mulheres vítimas desse tipo de violência, reflectindo criticamente sobre as suas potencialidades. Após uma revisão da literatura internacional (e.g., Cox & Stolberg, 1991; McBride, 2001; Rinfret-Raynor & Cantin, 1997; Tutty, Bidgood, & Rothery, 1993), constata-se que essa é uma das mais comuns modalidades de intervenção facultadas às vítimas, revelando-se útil e com grande impacto junto dessas mulheres (e.g., Trimpey, 1989, citado por McBride, 2001; Tutty et al., 1993). Finalmente, a partir dos estudos disponíveis, apontamos os principais desafios no desenvolvimento de estudos empíricos neste contexto, bem como algumas implicações práticas para a implementação de intervenções em grupo com esta população.<hr/>After being socially recognized, domestic violence has been having a significant expression in Portuguese surveys. Moreover, due to the high costs associated with this problem (e.g., physical and mental health), the intervention by specialized professionals in this area is now more relevant, being the woman victim the main target. Within the last years, several psychotherapeutic modalities addressing women victims were developed, being group intervention one of those. The aim of the present work is to give a clear picture of the state of the art concerning research on efficacy of group intervention with women victim of domestic violence, as well as critically reflect on its’ potential. After reviewing international literature (e.g., Cox & Stolberg, 1991; McBride, 2001; Rinfret-Raynor & Cantin, 1997; Tutty, Bidgood, & Rothery, 1993), it is possible to recognize group intervention as one of the most common intervention with victims, often assessed as being useful and with a positive impact (e.g., Trimpey, 1989, as cited in McBride, 2001; Tutty et al., 1993). Finally, major challenges on the development of empirical studies on this intervention are pointed out, as well as implications for practitioners in order to develop group intervention with women victim of domestic violence. <![CDATA[<b>Violência nas relações íntimas ocasionais de uma amostra estudantil</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo apresenta os resultados de uma investigação sobre a prevalência da violência nas relações afectivas ocasionais de uma amostra de estudantes, composta por 600 alunos do ensino secundário e superior. 72.3% dos elementos desta amostra relataram já ter estado envolvidos em relações afectivas ocasionais. Nas suas respostas a um inventário de violência (IVC-4, Antunes & Machado, 2007), 43.2% dos participantes admitem ter perpetrado pelo menos um acto abusivo contra um parceiro(a) ocasional ao longo das suas vidas (30.1% de natureza física) e 37.3% reconhecem ter sido alvo de violência por um parceiro ocasional ao longo da vida (20.4% de agressão física). Esta violência aparece essencialmente associada aos sujeitos mais novos, que frequentam anos inferiores de escolaridade e do ensino secundário. Ocorre também mais frequentemente entre os jovens com um maior número de envolvimentos ocasionais. Estes resultados corroboram a relevância do problema da violência na intimidade juvenil e, sendo bastante superiores aos níveis de prevalência da violência nas relações de namoro (Machado, Caridade, & Martins, 2009), sugerem que poderá haver dinâmicas relacionais específicas das relações ocasionais que aumentam o risco nestes envolvimentos e que a investigação futura deverá aprofundar.<hr/>This paper presents the results of a research project on the prevalence of violence in the casual intimate involvements of a sample of 600 university and college students. 72.3% of the participants reported to have been involved in such relationships. They answered a violence inventory (IVC-4, Antunes & Machado, 2007), and 43.2% of them admitted to have perpetrated at least one abusive act towards a casual partner along their lives (30.1% report acts of physical violence) and 37.3% admit to have been victimized by a casual partner (20.4% describe acts of physical violence). Violence is more common among younger subjects, those that attend to lower educational levels and students from secondary schools. It is also more common among participants that have had a higher number of casual relationships. These results corroborate the notion that violence in juvenile intimate relationships is a serious social problem. They also suggest, because the levels of violence found are quite higher than those reported for juvenile dating relationships (Machado, Caridade, & Martins, 2009), that casual intimate involvements may imply specific dynamics that enhance the risk of violence and that should be addressed by future studies. <![CDATA[<b>Violência nas relações de namoro entre adolescentes</b>: <b>Avaliação do impacto de um programa de sensibilização e informação em contexto escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este estudo pretende avaliar o impacto de uma acção de sensibilização e informação sobre violência nos relacionamentos de namoro, implementada em contexto escolar, e perceber o papel do género no impacto da intervenção. Esta foi uma acção composta por três sessões de 90 minutos, cada uma, conduzidas junto de 578 alunos de 15 escolas do norte de Portugal. Todos os alunos preencheram, antes e após a intervenção, questionários de auto-relato acerca das suas atitudes sobre a violência física, psicológica e sexual nos relacionamentos de namoro e acerca das estratégias de resolução de conflitos por si utilizadas nestes relacionamentos. Os resultados revelaram a eficácia da intervenção ao nível da diminuição das atitudes de legitimação da violência nos relacionamentos, mas não foi possível identificar um impacto significativo da acção nas estratégias de resolução de conflitos utilizadas pelos participantes. Estes dados podem estar associados ao facto de o programa ter uma duração breve e uma orientação mais informativa do que comportamental. A questão do impacto diferencial deste tipo de programas em função do género não apresentou neste estudo resultados conclusivos.<hr/>This paper presents the evaluation of the impact of a preventive action about violence in dating relationships, conducted in a secondary school context. This action was composed by three sessions, 90 minutes each one, and involved 578 students from 15 schools in the north of Portugal. All students filled, before and after the intervention, self-report questionnaires about their attitudes toward physical, psychological and sexual violence in dating relationships and about the conflict resolution strategies they use with their intimate partners. Results showed that the intervention reduced violent prone attitudes, but had no impact in the conflict resolution strategies used by the participants. These results can be due to the fact that the program had a brief duration and a more informative than behavioral orientation. The question of the differential impact of such programs by gender did not provide, in this study, conclusive results. <![CDATA[<b>Práticas de prevenção da violência nas relações de intimidade juvenil</b>: <b>Orientações gerais</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=en A prevenção da violência nas relações de intimidade juvenil foi, durante muito tempo, negligenciada no âmbito da intervenção e investigação sobre este tema. Todavia e não obstante o adiamento na proliferação destes esforços, o quadro científico internacional apresenta-nos hoje programas de prevenção exemplares, dirigidos à população juvenil, numa óptica de prevenção primária do problema, e com resultados muito promissores. Com este artigo, pretendemos precisamente analisar o estado da arte em termos das práticas internacionais e nacionais, em matéria de prevenção da violência nas relações de intimidade juvenil. Pretendemos ainda, e tendo por base aquele que é o conhecimento científico nesta área, esboçar algumas recomendações gerais neste âmbito e mais especificamente, as componentes a privilegiar na elaboração dos programas de prevenção. Por último, procuraremos ainda debater sobre os desafios futuros em matéria de prevenção.<hr/>The prevention of violence in intimate relationships has for long been neglected under the intervention and research on this topic. Despite the delay in the proliferation of these efforts, the international scientific world recently presented several model prevention programs directed to the youth population as a primary prevention scheme, establishing promising results. With this article, we intend to analyze the state of the art in terms of international and national practices in the prevention of violence in intimate relationships. We also intend to, based on scientific knowledge in this area, make some general recommendations and, more specifically, recommendations on the components to focus on the development of prevention programs. Suggestions for future challenges in the field of prevention of violence in intimate relationships will also be discussed. <![CDATA[<b>Repertórios interpretativos sobre o amor e as relações de intimidade de mulheres vítimas de violência</b>: <b>Amar e ser amado violentamente?</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100012&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente estudo procura compreender como as mulheres vítimas de violência falam sobre o amor e as relações de intimidade e como experienciam e significam o fenómeno da violência sofrida. Explora-se também o recurso à violência por parte destas mulheres, em que contextos o fazem e como significam a violência perpetrada. O estudo envolve 12 mulheres vítimas de violência, de diferentes grupos etários e com diferentes trajectórias de vida, com as quais se conduziu uma entrevista individual acerca da história de amor da sua vida. Conclui-se que tanto os relatos de vitimação como os de perpetração se inscrevem em discursos socioculturais mais amplos sobre o amor e as relações de intimidade - que sustentam a vitimação sofrida no feminino e limitam a agressividade feminina. Concluímos que a violência feminina assume características idiossincráticas e tem implicações práticas diferentes, relacionadas com as desigualdades e assimetria de género, não havendo similaridade na violência entre homens e mulheres na intimidade. A agressividade feminina surge como estratégia para lidar com a adversidade, no sentido de conseguir algum controlo sobre a relação e o sentido de si próprias, revelando a capacidade de luta, sobrevivência e resiliência destas mulheres.<hr/>The present study focus both women’s victimization experience and on women’s violence against partner. We aim at addressing their discourse about love and intimacy and at understanding how women conceptualize and experience violence. The study involved 12 women with whom we conducted an individual interview about their lives’ love story. We conclude that both the reports of victimization and perpetration fall on broader socio-cultural discourses about love and intimate relationships that support female victimization and restrict female aggressiveness. We conclude that female violence had idiosyncratic characteristics and different practical implications, related to gender inequalities and asymmetry, differentiating male and female intimate violence. Female aggression emerges as a strategy to deal with adversity in order to gain some control over the relationship and some sense of themselves, revealing the capacity to struggle, survival and resilience of these women. <![CDATA[<b>Vitimação por stalking</b>: <b>Preditores do medo</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100013&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo pretende reflectir sobre uma realidade ainda pouco conhecida no contexto nacional - o stalking - e analisar os factores que concorrem para o sentimento de medo face a esta experiência de vitimação. O estudo foi conduzido junto de uma amostra de 236 participantes que relataram ter sido alvo de stalking em algum momento das suas vidas. O sexo e a idade da vítima, assim como ser alvo de vigilância pelo stalker emergiram como preditores do medo face a este tipo de vitimação. Os resultados sugerem que os efeitos deste tipo de violência devem ser compreendidos e localizados no tecido sócio-cultural, sendo necessário um maior investimento ao nível da investigação e das práticas para fazer face a este fenómeno.<hr/>This paper aims to reflect about a reality that is still hidden in the national context - stalking - and to analyze the factors that compete to fear as a result of this kind of victimization. The study was conducted with a sample of 236 participants that had reported being a target of stalking in some point of their lives. Victim’s age, sex, and also being victim of surveillance by the stalker have emerged as predictors of fear as a consequence of stalking. Therefore, results suggest that the effects of this type of violence should be understood and located in the sociocultural tissue, being necessary a greater investment in research and practices for acting against this phenomenon. <![CDATA[<b>Escala de Crenças sobre Violência Sexual (ECVS)</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100014&lng=en&nrm=iso&tlng=en A incorporação e partilha das concepções culturais dominantes acerca da sexualidade, da violência, da violação e de outras formas de violência sexual têm consequências tanto para a vida dos indivíduos como para a vida em sociedade. Atitudes sexistas e crenças legitimadoras da violação têm consistentemente sido associadas com uma maior probabilidade de agressão e violência sexual. As atitudes face à violência sexual parecem também estar associadas com os papéis tradicionais de género, sobretudo os que se prendem directamente com o comportamento sexual. A ECVS mede o grau de tolerância/aceitação do sujeito quanto ao uso de violência desta natureza. Quanto mais elevada for a pontuação total da escala, mais elevado será o grau de tolerância/aceitação do sujeito quanto ao uso de violência sexual. A ECVS foi administrada a uma amostra nacional de 1000 estudantes universitários, analisando-se as suas características psicométricas. A análise factorial de componentes principais (com rotação varimax) permitiu obter cinco factores. A consistência interna da escala, obtida através do coeficiente alpha de cronbach, é de 0.91. Discutem-se as implicações dos resultados obtidos, quer em termos da análise da capacidade da ECVS para detectar atitudes e crenças associadas com a violência sexual, quer em termos da análise do seu contributo na construção e implementação de programas de intervenção e prevenção.<hr/>The dominant culture sends out powerful messages about rape, sex and violence. Many studies postulated that conceptions of what events constitute sexual violence are influenced by the attitudes of those in their immediate social network. Sexist attitudes and rape-supporting beliefs have long been linked to relationship aggression and sexual violence. Attitudes toward sexual violence seem to be linked to traditional gender-role stereotypes, in particular those related to sexual behavior. The ECVS measures the degree to which a person sustains false information about sexual violence (false beliefs about sexual violence that are used to justify sexual violence and trivialize its effects on the victims). High scores indicate that a person is more tolerant to sexual violence. The ECVS was administered to a national sample of 1.000 university students. The psychometric properties of the ECVS were examined. Using principal components analysis we presented five independent factors. The scale has an alpha coefficient (internal consistency reliability) of .91. The implications of these findings are discussed in terms of the ability of the ECVS to detect attitudes and beliefs associated with sexual violence and to subsequently develop appropriate educational and intervention programs to address and ultimately prevent sexual aggression. <![CDATA[<b>O envolvimento na luta armada política em Portugal</b>: <b>A perspectiva dos seus actores</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100015&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este estudo analisa o envolvimento em movimentos de luta armada política em Portugal, através da perspectiva dos seus participantes. Assim, explorou-se a iniciação/entrada no grupo; as dinâmicas interpessoais dentro do grupo; a vida dentro do grupo versus vida quotidiana; a gestão da clandestinidade; o papel das mulheres no movimento; as justificações de ordem ética, moral, psicológica, ideológica para as acções empreendidas; a gestão de momentos e acções percebidos como desconfortáveis; a gestão da dúvida e questionamento; o suporte popular; e o sentido das acções e do envolvimento, no passado e no presente. Recorreu-se a uma metodologia de natureza qualitativa, realizaram-se entrevistas semiestruturadas a participantes em movimentos de luta armada política em Portugal no passado, permitindo, deste modo, uma apresentação e discussão dos resultados que espelham o posicionamento e a opinião daqueles aos tópicos supracitados, comparados, quando possível, com os dados recolhidos na literatura.<hr/>The purpose of this article is to study the involvement in armed political fight in Portugal. Thus, we have taken the perspective of individual participants. This may point to future ways of dealing with the phenomenon. In order to access such perspectives we aimed to explore (a) the initiation/entry into the group (b) the interpersonal dynamics within the group, (c) life within the group versus everyday life, (d) the management of underground life (e) the role of women in the movement, (f) the ethical, moral, psychological, ideological, etc., justifications for their actions, (g) the management of moments and actions perceived to be undesirable, (h) the management of the doubt and self-questioning, (i) popular support, and (j) the meaning of actions and involvement in the past and present. We used a qualitative methodology that gave preference to the method of semi-structured interviews with participants in movements of armed political fight in Portugal in the past. The presentation and discussion of the results mirror the position of participants throughout the topics mentioned above compared, when possible, with data collected from literature on the subject. <![CDATA[<b>Discursos sociais sobre a violência de Estado</b>: <b>Um estudo qualitativo</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100016&lng=en&nrm=iso&tlng=en Assistimos, na actualidade, a uma crescente preocupação com o papel das políticas de acção dos governos na perpetuação de ciclos de violência. No entanto, a violência de Estado (da guerra à tortura, ou à violência policial) foi, até recentemente, um tema negligenciado pela comunidade criminológica (Aas, 2007; Young, 2007). O presente estudo visa conhecer a real extensão da tolerância e legitimação da violência de Estado por parte dos cidadãos comuns. Apesar de este texto se focar apenas nos dados portugueses, este é um projecto que está a ser conduzido em quarenta e três países de todo o mundo através do Group on International Perspectives on Governmental Aggression and Peace (GIPGAP). Com o intuito de contribuir para o conhecimento dos processos de legitimação da violência de Estado por parte de cidadãos portugueses, procedeu-se a uma análise comparativa do posicionamento de 600 participantes face a diferentes tipos de violência de Estado. Partindo da identificação dos argumentos utilizados pelos participantes para legitimar ou rejeitar cada tipo de violência, procurou-se depois perceber em que medida estes posicionamentos se diferenciam em função do grau de normatividade do acto (percebido como legal ou ilegal), da sua natureza (por exemplo: agressão ou morte) e do alvo do mesmo (por exemplo: civis ou prisioneiros de guerra).<hr/>Nowadays there is an increasing concern about the role of governments’ policies in perpetuation of violence cycles. However, State violence (from war to torture, or to police violence) was an issue that was neglected by the criminological community until recently (Aas, 2007; Young, 2007). This study aims at knowing the real extent of tolerance and legitimation of State violence by common citizens. Although this study only focuses on the Portuguese data, this is a project that is being carried out in forty-three countries across the world by the Group on International Perspectives on Governmental Aggression and Peace (GIPGAP). With a view to contributing to understanding the legitimation processes of State violence by Portuguese citizens, a comparative analysis of the judgments of 600 participants towards different types of State violence was conducted. Based on the identification of the participants’ arguments to either legitimate or reject each type of violence, we tried to understand in what extent those judgments differentiate according to the degree of normativity of the act (perceived as legal or illegal), its nature (e.g., aggression or death) and its target(e.g., civilians or prisoners of war). <![CDATA[<b>A construção mediática do tráfico de seres humanos na imprensa escrita portuguesa</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000100017&lng=en&nrm=iso&tlng=en O crescente reconhecimento do tráfico de seres humanos ao longo da última década deveu-se, em grande parte, à acção dos órgãos de comunicação social, quer enquanto veículos transmissores de informação massificados, quer enquanto participantes activos no processo de construção da realidade. Este duplo papel justifica a necessidade de estudo dos seus produtos no sentido de melhor compreender os fenómenos sociais e, particularmente, aqueles que se associam ao desvio. Da análise das notícias publicadas por dois jornais diários de distribuição nacional emerge uma sobreposição frequente entre tráfico, prostituição e imigração ilegal, fruto de um predomínio de narrativas sobre exploração sexual de mulheres, contribuindo para a presença de estereótipos e mensagens de alarme social. No entanto, os actores principais das histórias são arredados da arena das narrativas, sendo os seus discursos subalternizados face à acção dos órgãos de polícia criminal, atribuindo-lhes o controlo do conhecimento difundido sobre o fenómeno. Sublinha-se, por fim, a necessidade da adopção de códigos de conduta por parte dos agentes dos meios de comunicação de massas que permitam evitar a emissão de mensagens que apelam ao estigma e ao pânico e que promovam a reconciliação das pressões comerciais com o interesse público, a responsabilidade ética e social.<hr/>The growing recognition of trafficking in human beings over the last decade was due in large part to the action of the media, either as a massive information vehicle, either as an active participant in the process of constructing reality. This dual role justifies the need to study their products in order to better understand social phenomena, and particularly those associated with deviation. By analysing the news published by two national daily newspapers, a frequent overlap between trafficking, prostitution and illegal immigration emerges, reflecting the dominance of narratives regarding women’s sexual exploitation, which, in turn, contributes to the presence of stereotypes and social alarm messages. However, the main actors are sidelined from the narratives arena, since their discourses are subordinated to the action of the criminal police bodies, giving them control of the spread knowledge regarding the phenomenon. Finally, the need to adopt codes of conduct by media stakeholders is noted in order to avoid the release of messages that appeal to stigma and panic, as well as to promote the reconciliation between commercial pressures and the public interest, ethical and social responsibility.