Scielo RSS <![CDATA[Análise Psicológica]]> http://www.scielo.mec.pt/rss.php?pid=0870-823120080003&lang=pt vol. 26 num. 3 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.mec.pt/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.mec.pt http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<b>Desenvolvimento social</b>: <b>Algumas considerações teóricas</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O presente artigo tem como objectivo apresentar algumas perspectivas teóricas sobre o processo de desenvolvimento, especificamente ao nível dos múltiplos factores que contribuem para o desenvolvimento sócio-emocional da criança. Procura-se salientar a definição de desenvolvimento como produto de uma co-acção entre a biologia e as influências sociais. As interacções precoces assim como as interacções entre pares são abordadas como importantes contextos de desenvolvimento.<hr/>The present paper discusses some theoretical perspectives of the developmental process, more specifically, at the level of the multiple factors contributing to child socio and emotional development. The authors aim to highlight the concept that development is constrained by both biological and contextual characteristics. Both parent/child interactions and peer relations are considered in this paper as critical developmental contexts. <![CDATA[<b>Envolvimento paterno e organização dos comportamentos de base segura das crianças em famílias portuguesas</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Estuda-se, numa amostra de famílias bi-parentais, em que as mães trabalham a tempo inteiro, e as crianças frequentam cuidados não-maternos, várias horas por dia, o envolvimento paterno nas actividades de organização/cuidados (Práticas) e de brincadeira/lazer (Lúdicas). Analisam-se, os correlatos (variáveis socio-demográficas) e as consequências da participação paterna, ao nível da organização dos comportamentos de base segura da criança, com o pai e a mãe. Os participantes são 44 díades mãe/criança e pai/criança, tendo as crianças em média 31.91 meses (DP=2.56). Aplicou-se, a ambos os pais (separadamente), um questionário que avalia o envolvimento parental (Monteiro, Veríssimo, Castro, & Oliveira, 2006), e utilizou-se o Attachment Behavior Q-Set (Waters, 1995) na análise das relações de base segura. Os resultados indicam que é quase sempre a mãe a realizar as Tarefas Práticas e que tanto a mãe como o pai participam nas Actividades Lúdicas. A participação dos pais, nas Actividades Práticas, está significativamente correlacionada com o modo como a criança organiza os seus comportamentos de base segura, na relação com o progenitor, enquanto que, nas Actividades Lúdicas este valor é marginalmente significativo. Apenas a participação paterna, nas Actividades Lúdicas, se encontra significativamente correlacionada com o valor de segurança da criança na relação com a mãe. Nesta amostra a quantidade do envolvimento paterno tem consequências positivas para o desenvolvimento sócio-emocional da criança.<hr/>Paternal involvement in organizational/care tasks and play/leisure activities was studied in a sample of dual-earner Portuguese families, with children that attend day-care for several hours a day. Socio-demographic variables were analysed in relation to involvement, as well as the impact of father’s participation in children’s organization of secure base behaviour in mothers and fathers relationships. 44 mother/child and father/child dyads participated in the study, children’s average age was 31.91 months (DP=2.56). To assess paternal involvement, (relative measure), both parents answered separately a questionnaire (Monteiro, Veríssimo, Castro, & Oliveira, 2006). The quality of the children’s secure base behavior was assessed with the Attachment behavior Q-Set (Waters, 1995). Mother/child and father/child dyads were observed, separately, in their homes, by different teams of observers. A traditional division in organization/care and a shared participation in the play activities emerged. No significant correlations were found between socio-demographic variables and fathers participation. Fathers that shared caregiving and play activities with mothers have children with higher security scores. In this sample the quantity of father’s participation showed positive consequences for the child socio-emotional development. <![CDATA[<b>A concordância entre o comportamento de base segura com a mãe nos primeiros anos de vida e os modelos internos dinâmicos no pré-escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Estuda-se, numa amostra que contempla dois países - Portugal e Estados Unidos da América -, a estabilidade da qualidade da vinculação, na relação mãe criança, analisando-se o comportamento de base segura na relação mãe-criança nos primeiros anos de vida e as representações mentais da criança acerca desta relação, no pré-escolar. Os participantes são 25 díades mãe-criança portuguesas e 47 díades mãe-criança americanas. Utiliza-se o Attachment Behaviour Q-Set (AQS) (Waters, 1995) para avaliar os comportamentos de base segura e, três anos mais tarde, aplica-se às crianças o Attachment Story Completion Task (ASCT) (Bretherton & Ridgeway, 1990) que avalia a qualidade e a segurança das representações internas da relação de vinculação. Os resultados mostram que, nesta amostra, há uma estabilidade da vinculação entre os 2-3 anos de idade e os 5-6 anos de idade. O valor de segurança do AQS está correlacionado positiva e significativamente com a dimensão de segurança do ASCT. Nesta amostra, os modelos internos dinâmicos parecem permanecer relativamente estáveis ao longo de um período significativo de tempo.<hr/>Attachment Stability from infancy to preschoolers was studied in a sample that includes two countries - Portugal and the US -. The study examined associations between infant-mother secure base behaviour and attachment representation at preschooler years. 25 mother - child Portuguese dyads and 47 mother - child american dyads participated in the study. The quality of the children’s secure base behaviour was assessed with the Attachment Behaviour Q-Set (AQS) (Waters, 1995) and tree years later, to assess de quality and the security of the internal representations of the attachment relationship it was used Attachment Story Completion Task (ASCT) (Bretherton & Ridgeway, 1990). Correlations between AQS security and ASCT security were found. In this sample, internal working models seem to be relatively stable over a significant period of time. <![CDATA[<b>Auto-conceito e representações da vinculação no período pré-escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Teoria da Vinculação sugere que as representações internas das experiências relacionais e a noção de self vão sendo interiorizadas, de forma complementar, pelas crianças ao longo do tempo, desempenhando as figuras de vinculação um papel crucial neste processo. Alguns estudos empíricos (Cassidy, 1988; Clark & Symons, 2000; Verschueren, Marcoen, & Schoefs, 1996) têm examinado as ligações entre desenvolvimento do self e segurança da vinculação durante o período pré-escolar. No entanto, poucos se têm debruçado, especificamente, sobre as associações existentes entre o auto-conceito dos sujeitos e as representações internas que estes possuem das suas experiências relacionais, como é o caso do presente estudo. Para inferir a qualidade e a segurança das representações de vinculação utilizámos uma versão adaptada da MacArthur Story Stem Doll-play Task (Page & Bretherton, 2001) numa amostra de 75 crianças do pré-escolar. A representação do self foi avaliada através da versão portuguesa da Pictorial Scale of Perceived Competence and Social Acceptance for Young Children (Harter & Pike, 1984; Mata, Monteiro, & Peixoto, 2008). Os resultados encontrados apoiam a presença de relações entre a qualidade das representações associadas à vinculação e a representação global que a criança tem do seu self, com uma associação positiva mais forte a ser encontrada com a percepção da Aceitação Social.<hr/>Attachment theory suggests that notions about the self and representations of the attachment relationships become internalized over the time within a complementary mode, with the caregivers performing a crucial role on this process. Some empirical researches (Cassidy, 1988; Clark & Symons, 2000; Verschueren, Marcoen, & Schoefs, 1996) have examined concurrent and predictive relations between self-representation and security of the attachment in early and middle childhood. However, just few studies looked at the associations between self-concept and attachment representations of pre-scholars, as this study aims to do. The quality of the attachment representations was assessed through an adapted version of the MacArthur Story Stem Doll-play Task (Page & Bretherton, 2001) on a sample of 75 pre-scholar children. Self representations were assessed using a Portuguese version of The Pictorial Scale of Perceived Competence and Social Acceptance for Young Children (Harter & Pike, 1984; Mata, Monteiro, & Peixoto, 2008). Our results support the presence of connections between the quality of the attachment representations and the global representation of the self, with a strongest positive association being found with the perceived Social Acceptance. <![CDATA[<b>Qualidade da vinculação ao pai e à mãe e o desenvolvimento da amizade recíproca em crianças de idade pré-escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Estudos empíricos demonstraram que as crianças com uma vinculação mais segura com as figuras parentais são mais capazes de co-construir relações significativas com os pares, e que os relacionamentos afiliativos das crianças (em particular as amizades) parecem ter um grande impacto no desenvolvimento social ao longo da vida. Grande parte dos estudos têm-se centrado sobretudo na relação de vinculação com a mãe e não é claro qual o papel da vinculação com o pai no estabelecimento de relações próximas com os pares. O presente estudo examinou as relações entre a segurança da vinculação à mãe e ao pai aos 2,5 anos e o número de amizades da criança aos quatro anos. Participaram neste estudo 35 díades mãe-criança e pai-criança de famílias bi-parentais. A idade inicial das crianças variou entre 29 e 38 meses (M=31.75; DP=2.56), 23 eram raparigas. Ambos os progenitores trabalhavam fora de casa e as famílias pertenciam a um nível socio-económico médio. Para avaliar a segurança dos comportamentos de vinculação com ambos os pais foi utilizada a versão portuguesa do Attachment Behavior Q-Set (AQS) (Waters, 1995) aos 2,5 anos de idade. Para avaliar o número de amizades foram usadas duas técnicas sociométricas aos quatro anos de idade: 1) Método das Nomeações: (McCandless & Marshall, 1957), e 2) Escala de Apreciação (Asher, Singleton, Tinsley, & Hymel, 1979). Os resultados demonstraram uma consistência significativa nos comportamentos de base-segura da criança com os dois progenitores (r=.47, p<.05), e a uma correlação positiva entre comportamentos de base-segura com o pai e o posterior numero de amizades recíprocas da criança (r=.43, p<.05), o que sugere a existência de um efeito da interacção específica com o pai no estilo relacional da criança com os pares. Discutem-se os resultados argumentando que a vinculação segura ao pai pode ser uma condição necessária para o desenvolvimento de competências específicas na gestão da rede social das crianças em idade pré-escolar.<hr/>Attachment research suggests that children with secure attachments are more able to construct meaningful relationships with peers. Few studies, however, have attempted to map early attachment security to the formation and maintenance of preschool friendships. Special attention has been paid to affiliative relationships (particularly friendships) because these are presumed to be of special importance with respect to a number of developmental outcomes and social adjustment indices. The present study examined the relations between mother-child and father-child attachment relationships and the number of child preschool friendships. Thirty-five mother/child and father/child dyads from bi-parental families participated in the study. Children were between 29 and 38 months of age (M=31.75; SD=2.56), all Caucasian, 23 were girls. 24 were firstborn and 31 had siblings. Both parents were employed outside home, and families are from middle class status according to local community standards. The AQS (Waters, 1995) was used to measure the organization of children’s secure base behavior with both parents at 2,5 years of age. Subsequently, two sociometric measures were used at 4 years of age: 1) Nominations (Marshall & McCandless, 1957), a standard measure composed of attributions of positive and negative nominations, and 2) Rating-scale (Asher, Singleton, Tinsley, & Hymel, 1979). The correlation between the independent AQS scores for fathers and mothers was positive and reached significance levels, (r=.47, p<.05). Thus, there was consistency in child secure base behavior across visits with each parent. There was a significant positive correlation between secure base behavior with fathers and the number of reciprocal friendships (r=.43, p<.05). In the present study secure children with fathers tend to have more reciprocal friends, a result that may indicate the existence of a distinct relational effect of father’s style of interaction. <![CDATA[<b>Métodos de observação e análise para identificação das estruturas afiliativas de grupos de crianças em meio pré-escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Os modelos etológicos em desenvolvimento social sublinham que os grupos naturais proporcionam uma variedade de contextos sociais que influenciam de forma diferencial o crescimento e desenvolvimento individual. Contudo, os estudos comportamentais de primatas humanos e não-humanos têm sobretudo incidido nas relações de agressividade e estruturas de dominância. A investigação da organização do comportamento afiliativo tem sido impedida devido à falta de modelos e métodos para o estudo das estruturas sociais coesivas. As análises de agrupamento e redes sociais dos padrões de associação entre pares fornecem uma base alternativa para investigar a organização social de grupos infantis estáveis e para avaliar como é que os tipos afiliativos no interior do grupo podem influenciar o desenvolvimento individual. Os resultados do presente estudo contribuem directamente para a operacionalização de tais modelos descritivos das estruturas coesivas dos grupos de pares. A discussão dos resultados centra-se na forma como a inserção da criança na estrutura afiliativa do grupo de pares constrange o seu comportamento social e proporciona experiências específicas que servem como contextos para a construção de relações interpessoais mais íntimas.<hr/>Ethological models of social development stress that natural groups provide a variety of social contexts that differentially shape individual growth and development. However, behavioral studies of human and non-human primates have most often been limited to aggressive relations and social dominance structures. Investigations of the organization of affiliative behavior have been hampered by a lack of models and methods for the study of cohesive social structures. Network analyses of patterns of peer association provide an alternative basis for investigating the social organization of stable play groups and for assessing how structured roles within the group may influence individual development. Findings of the present research contribute directly to the operationalization of such descriptive models for representing cohesive structures in children’s peer groups. Results are discussed in terms of how the child’s insertion in the peer group affilliative structure constrains his or her social behavior and provides specific experiences that serve as contexts for the construction of more intimate personal relationships. <![CDATA[<b>Relações entre o conhecimento das emoções, as competências académicas, as competências sociais e a aceitação entre pares</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O presente estudo enquadra-se na perspectiva de que o conhecimento das emoções tem efeitos na prontidão e no ajustamento escolar, actuando como mediador entre os factores psicológicos (competências académicas; competências sociais) e os factores proximais (aceitação entre pares). Testaram-se duas hipóteses: (1) o conhecimento das emoções é um factor de mediação na associação entre as competências académicas e a aceitação entre pares; (2) o conhecimento das emoções é um factor de mediação na associação entre as competências sociais e a aceitação entre pares. P articiparam no estudo 40 crianças, 22 do sexo masculino e 18 do feminino, entre os 5 e os 6 anos. Com vista à análise do conhecimento das emoções utilizou-se a adaptação portuguesa do Teste de Conhecimento de Emoções (Denham, McKinley, Couchoud, & Holt, 1990), tendo sido, ainda, realizadas entrevistas sociométricas às crianças (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, & Krysik, 2001). Mães e pais responderam separadamente à Escala de Avaliação do Comportamento e Competência Social de LaFreniere e Dumas (1996) e, à Escala de Competência Interpessoal (Cairns, Leung, Gest, & Cairns, 1995). Os resultados confirmaram a hipótese de que o conhecimento das emoções em crianças de cinco e seis anos é um factor de mediação nas associações entre as competências académicas e a aceitação entre pares. Porém, não se obteve resultados significativos desta mediação para a associação entre as competências sociais e a aceitação entre pares, infirmando a nossa segunda hipótese.<hr/>Studies the mediating effects of emotional knowledge on school adjustmentand readiness to learn via psychological factors (academic and socialcompetence) and via proximal factors (peer acceptance). Two hypotheses were tested: 1) emotional knowledge is a mediating factor inthe association between academic competence and peer acceptance 2) emotional knowledge is a mediating factor in the association between social competence and peer acceptance. Participants were 40 children, 22 boys, between 5 and 6 years of age. Emotional knowledge was assessed with the Portuguese version of the Emotional Knowledge Test (Denham, McKinley, Couchoud, & Holt, 1990). Peer acceptance was measured through sociometric interviews (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, & Krysik, 2001). Social competence was assessed using two instruments administered to fathers and mothers independently: a) the Social Competence and Behavior Evaluation Scale (LaFreniere e Dumas, 1996) and the Interpersonal Competence Scale (Cairns, Leung, Gest, & Cairns, 1995). Results support the hypothesis that emotional knowledge in children of 5 and 6 years of age mediates the association of academic competence with peer acceptance. However, mediation analyses for the association of social competence with peer acceptance yielded no significant results. <![CDATA[<b>A concordância entre medidas sociométricas e a estabilidade dos estatutos sociais em crianças de idade pré-escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O conceito de sociometria, introduzido por Moreno (1934/1953), refere-se a um conjunto de métodos que permitem identificar, simultaneamente, a estrutura social dos grupos e a posição relativa que cada indivíduo ocupa, na referida estrutura. Não obstante a sua utilização recorrente, em diversos campos da psicologia, são poucos os estudos (e.g., Jiang & Cillessen, 2005; Wasik, 1987; Wu, Hart, Draper, & Olsen, 2001) que, durante o período correspondente ao pré-escolar (i.e., entre os 3 e os 5 anos de idade), avaliam a questões da concordância entre as avaliações obtidas através de diferentes medidas, sendo mais comum que se considere a estabilidade de cada medida, de modo a analisar, por exemplo, a evolução das classificações sociométricas (i.e., estatuto no grupo de pares). No presente estudo, foram entrevistados 263 crianças, 140 do sexo feminino e 123 do sexo masculino, distribuídas por 11 grupos (3 de 3 anos, 4 de 4 anos e 4 de 5 anos de idade), utilizando três técnicas sociométricas diferentes: (1) nomeações - 3 escolhas positivas, 3 negativas (2) escala de apreciação (rating scale) - cada criança foi classificada entre 1 (não gosta muito de brincar) e 3 (gosta muito de brincar); e (3) comparação entre pares (paired comparisons) - escolha de uma entre duas crianças, pelo critério gosta mais de brincar, em todas as díades possíveis no grupo. Os resultados apontam para a existência de correlações estatisticamente significativa entre as diferentes medidas, isto é, coerência entre as medidas, que aumentam de magnitude em função da idade das crianças. Relativamente aos estatutos sociométricos, obtidos a partir da tarefa de nomeações, seguindo os procedimentos de Coie, Dodge e Coppotelli (1982), os resultados apontam para uma ausência de estabilidade das classificações sociométricas ao longo do desenvolvimento.<hr/>Firstly introduced by Moreno (1934/1953), sociometry construct refers to a set of methodologies used to identify, simultaneously, the group social structure and the relative position each individual occupies in that structure. Despite being frequently applied, in a variety of psychology domains, only a small number of studies (e.g., Jiang & Cillessen, 2005; Wasik, 1987; Wu, Hart, Draper & Olsen, 2001) have posed the coherence question, among the assessments obtained via different measures, during the preschool period (i.e., children ages 3-to-5). Much more commonly, coherence questions tend to focus in the same measures examining, for instance, the evolution/change on sociometric status classifications. In the present study, eleven groups of children were interviewed (three groups of 3-yearolds; four groups of 4-year-old; and four groups of 5years-old children), using three different sociometric tasks/techniques: (1) nominations - 3 positive choices; 3 negative choices; (2) rating-scale - each child assessed each colleague individually and give him/her a rating ranging between 1 (like to play with a lot) and 3 (not at all); (3) paired comparison - each child was asked to choose one of the two children according to the stimulus which of these two children do you especially like?, for each possible pairs. The results obtained indicate that the three different sociometric tasks are statistically and significantly correlated, further suggesting that the coherence between these measures tend to increase, as children grow older. For the second question of this study - sociometric status stability, depicted from the nomination task, according to Coie, Dodge and Coppotteli’s procedures (1982), the results indicate a lack of stability, from one year to another, suggesting that the social status in the peer group tend to change, as assessed by the different evaluation moments. <![CDATA[<b>Auto-conceito e aceitação pelos pares no final do período pré-escolar</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A importância do estudo do auto-conceito advém do forte impacto que este parece ter no comportamento do indivíduo, regulando as suas acções e modos de interacção com os outros. Na definição deste constructo há que considerar as avaliações que o sujeito faz acerca das suas próprias competências em domínios restritos, como o cognitivo, o social, ou o físico (Harter, 1999). O presente estudo analisa a relação entre a auto-percepção de competências e aceitação no grupo de pares, numa amostra de 40 crianças de idade pré-escolar. Para avaliar a percepção das competências foram utilizadas as Escalas Pictóricas de Percepção da Competência e Aceitação Social (Harter & Pike, 1984; Mata, Monteiro, & Peixoto, 2008), para analisar o grau de aceitação no grupo de pares realizaram-se entrevistas sociométricas. Os resultados indicam que as crianças com valores mais elevados na auto-percepção da aceitação entre os pares são, de facto, as que apresentam valores mais elevados de aceitação sociométrica no seu grupo de pares. Verificou-se igualmente que a auto-percepção da aceitação materna está relacionada com a percepção da competência cognitiva, com a percepção da aceitação pelos pares e, ainda, com a aceitação sociométrica pelos pares. Assim, o contexto relacional importa, enquanto guia do comportamento social da criança, e na emergência do conceito e sentido do self. A família, pares, representações e percepções de si próprio influenciam a relação entre pares em diferentes aspectos, em particular na sua aceitação.<hr/>The self-concept helps to regulate our own actions and the way we interact with others, therefore having a great impact on human behavior. According to Harter (1999) it is important to also analyze self-perceptions in specific domains such as cognition, social or physical. The present study aims to analyze the relations between self-perceptions of 40 preschool age children and the way they are accepted by their pears in the group context. The Pictorial Scale of Perceived Competence and Social Acceptance (Harter & Pike, 1984, adapted to the Portuguese population by Mata, Monteiro & Peixoto, 2008) and sociometric interviews were used to collect the data. The results indicate that children with higher scores on their perceived acceptance by their pears are indeed the ones with higher sociometric acceptance scores given by their peers. Their perception of the maternal acceptance is related to their perception of both cognitive competence and peers acceptance, as well as to their sociometric acceptance among peers. Overall, social interactions seem to be an important context for the development of self-concept. <![CDATA[<b>A adopção</b>: <b>O Direito e os afectos. </b> <b>Caracterização das famílias adoptivas do Distrito de Lisboa</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A adopção como experiência humana transcende todas as culturas e existe desde sempre, tendo desempenhado diferentes funções ao longo do tempo, reflectindo as mudanças sociais relativas ao modo como a sociedade encara as necessidades da criança, os modos de guarda, consoante as necessidades dos pais biológicos e dos pais adoptivos. Nas culturas da Europa Ocidental e Americana e ainda num grande número de outras culturas, acredita-se que a família é o melhor meio para a criança crescer. Assim a adopção é um procedimento legal que visa dar uma família à criança cujos pais biológicos não são capazes, não têm vontade ou estão legalmente proibidos de tomarem conta dela, assegurando-lhe uma família de carácter definitivo, capaz de lhe proporcionar um ambiente propício ao seu desenvolvimento, assegurando as suas necessidades. Em Portugal, a legislação tem sido revista e alterada no sentido da promoção dos interesses da criança e da defesa dos seus Direitos. O presente estudo tem como objectivo geral a caracterização das famílias adoptivas do distrito de Lisboa e faz parte de uma investigação mais ampla sobre a qualidade da vinculação nas crianças adoptadas. Pudemos constatar que as famílias adoptivas apresentam a mesma diversidade e heterogeneidade que as famílias com filhos não adoptados, à excepção da sua (in)fertilidade e do número de anos de casamento (que é superior nas família adoptivas) até à chegada do primeiro filho. A adopção continua a ser, para a maioria das famílias adoptivas uma solução para o problema da infertilidade, embora as famílias procurem associar também uma motivação social. A criança adoptada está, na maioria dos casos, de acordo com a criança idealizada.<hr/>Adoption as a human experience is a universal phenomenon which has fulfilled different functions across history, reflecting the way societies view children and their needs, as well as their biological and adoptive parents. In Europe and in America, as well as in other cultures, the family is considered the socio-emotional context where the child should develop. Therefore adoption is the legal procedure which allows the child to have a family, when the biological family is not able to fulfill its role. In Portugal the law has been reviewed in order to protect and defend the children’s rights. This study aims to analyze the characteristics of the adoptive families in the Lisbon District. Adoptive families are similar to biological families in different parameters, with the exception of the infertility and the years of marriage prior to the first child. The adopted child fulfills the expectations of the adoptive parents. <![CDATA[<b>Dominância e atracção social num grupode macacos-verdes (<i>Cercopithecus aethiops</i>) em cativeiro</b>]]> http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312008000300012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Dados de interacções de catagem, recolhidos durante quatro meses de observações directas, de um grupo de macacos-vervet (Cercopithecus aethiops) em cativeiro, no Jardim Zoológico de Lisboa, foram utilizados para testar o modelo clássico de Seyfarth (1977) de atracção por indivíduos dominantes. Cada indivíduo foi observado um total de 10.5 horas, através de amostragens focais. Todas as ocorrências de comportamentos agonísticos foram também registadas. A análise dos resultados confirmou que nas fêmeas a catagem é dirigida para cima na hierarquia, apesar de a troca de catagem por apoio agonístico não ser o princípio subjacente a esta atracção. Considerando a teoria dos mercados biológicos, o facto de as díades serem altamente não recíprocas em termos do investimento feito na catagem, parece sugerir que outras comodidades, para além do apoio agonístico, estão a ser trocadas.<hr/>Data of grooming interactions, collected through four months of direct observation of a captive group of vervet monkeys (Cercopithecus aethiops), in Lisbon Zoo, were used to test Seyfarth’s (1977) classical model of rank related attractiveness. Each individual was observed for a total of 10.5 hours by means of focal sampling. All occurrences of agonistic behaviours were also recorded. Analyses confirmed that in females grooming is directed up the hierarchy, despite the interchange of grooming for support not being the underlying principle of this attraction. Considering biological markets theory, the fact that groom dyads tend to be highly non-reciprocal may actually suggests that other commodities, besides support, are being traded.